sexta-feira, 12 de outubro de 2012

SIMPÓSIO E-COSOFIA REÚNE EMPRESAS E ACADÊMICOS PARA DISCUTIR SUSTENTABILIDADE

SIMPÓSIO E-COSOFIA REÚNE EMPRESAS E ACADÊMICOS PARA DISCUTIR SUSTENTABILIDADE

O centro de Pesquisa ATOPOS (ECA-USP) promove simpósio para discutir ecologia, redes digitais e sustentabilidade. O evento é gratuito e terá participação do sociólogo francês Michel Maffesoli

O Centro de Pesquisa Atopos organiza no dia 16 de outubro, no Teatro Aliança Francesa, a segunda edição nacional do Simpósio e-cosofia. Com a presença do sociólogo francês Michel Maffesoli (Universidade Paris V - Sorbonne, CNRS France) e dos professores Gil Marques (STI-USP) e Massimo Di Felice (ECA-USP), o evento irá propor a criação de uma rede internacional de pesquisa e inovação em redes digitais e sustentabilidade, da qual todos os projetos, organizações e instituições presentes serão convidados a fazer parte. Dentre os participantes da mesa redonda estarão Juliana Nunes (Diretora de Relações Institucionais da Unilever), Rodolfo Guttilla (Diretor de Assuntos Corporativos e Relações Governamentais da Natura) e Sandro Marques (Superintendente do Santander).

Em sua segunda edição no Brasil, o simpósio é um projeto do Centro de Pesquisa Atopos da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes – Universidade de São Paulo), criado a partir da necessidade de constituir um espaço de diálogo e de trocas entre universidades, empresas e atores sociais que entendem a sustentabilidade como um desafio e um caminho de transformação de seus pensamentos e áreas de atuação.

O e-cosofia parte do conceito de que a informatização e a possibilidade de monitoramento digital das interações com o nosso ambiente promovem o surgimento de um novo tipo de cultura ecológica. Para a e-cosofia, a reflexão e análise dessa nova realidade vão além das teorias acadêmicas, podendo ser difundidas e implantadas em ações sustentáveis nas empresas e no chamado terceiro setor.

 

Programação:

16 de outubro

09h00 – Abertura

· Prof. Gil Marques (STI-USP), Prof. Massimo Di Felice (ECA-USP), representantes das empresas apoiadoras da Rede Internacional de Pesquisa e Inovação em Redes Digitais e Sustentabilidade.

· 09h30–Sessão conhecimento, redes e sustentabilidade.

Conferência: Ecosofia: um laço social enraizado, com Michel Maffesoli (Un. Paris V - Sorbonne, CNRS France).

· 11h00 – Sessão sociedade, redes e sustentabilidade – painéis de projetos-rede da sociedade civil.

· 13h30 - Sessão sociedade, redes e sustentabilidade – painéis de projetos-rede da sociedade civil.

· 14h30 – Sessão empresas, redes e sustentabilidade – painéis de projetos das empresas patrocinadoras.

· 16h00- Sessão território, redes e sustentabilidade.

Conferência: Redes Digitais e Sustentabilidade - a relação entre homem e meio ambiente na época das redes, com Massimo Di Felice (ECA-USP)

· 17h00 – Sessão empresas, redes e sustentabilidade

· Mesa redonda: “Como as empresas estão usando as redes digitais para envolver e educar seus públicos para a sustentabilidade?”

· Moderação: Ricardo Voltolini

· 19h30 – Encerramento do evento

No foyer do Teatro:

Lançamento do livro Redes digitais e sustentabilidade – as interações com o meio ambiente na era da informação. Editora Annablume.

Serviço:

Dia 16 de outubro – das 9h às 19h30

Teatro Aliança Francesa

Rua General Jardim, 182 –São Paulo

(próximo à estação República do Metrô – saída Caetano de Campos – próximo à Igreja da Consolação)

Inscrições: www.simposioecosofia.wordpress.com (grátis)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

VIII Seminário Internacional sobre Remediação e Revitalização de Áreas Contaminadas.

O Instituto Ekos Brasil organiza e realiza o mais importante evento internacional de discussão de tecnologias e conceitos de remediação e revitalização de passivos ambientais e áreas contaminadas que acontece no Brasil: o VIII Seminário Internacional sobre Remediação e Revitalização de Áreas Contaminadas.


Em sua 8ª edição, o Seminário traz este ano para o Brasil especialistas internacionais vindos da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Holanda e México para um ciclo de 25 palestras com apresentações de painéis finalizados com mesas redondas.


A programação do seminário inclui ainda, sessão com 36 pôster científicos e uma feira de negócios. Este evento será uma grande oportunidade para a troca de experiências entre agentes públicos e privados, brasileiros e estrangeiros, objetivando fomentar as principais discussões sobre os temas propostos.


Blocos Temáticos Seminário


Para esta edição já temos confirmado a participação de organizações como Dupont, Golder Canadá, Arcadis, Departamento de Proteção ao Meio Ambiente de Stuttgart, Alemanha, CH2M Hill, Geoclock, Clariant entre outras para abordarem os temas:

  • Estudos de Casos Brasileiros e Internacionais
  • Avaliação de Tecnologia in Site
  • Brownfields Redevelopment
  • Estratégias de Remediações
  • Intrusão de Vapores
  • Determinação de Áreas Fonte através de Isótopos


Feira de Negócios


Em paralelo ao Seminário acontece a feira do setor que este ano conta com mais de 12 empresas nacionais e internacionais participantes.


  • Adventus
  • Anatech – Anatilitical Technology
  • Aragon Sondagens
  • Bachema
  • Beacon
  • Bioagri
  • Bioensaios
  • Cox-colvin Associates
  • Erthsoft
  • Envirologek
  • FMC- Districhem
  • Fugro
  • Microbialinsights


Cursos


No dia 24 de outubro acontecerão dois mini cursos ministrados por palestrantes internacionais.


Curso 1




Curso 2


· Framework and Solutions for Adressing Contaminated Sediments
by Barbara Wenick, Golder Associates Ltd.



Programação completa acesse o site: www.ekosbrasil.org/seminario



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Cientistas fazem balanço dos resultados da RIO+20


Por Fábio de Castro - Agência FAPESP 

 A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20) mobilizou a comunidade científica e foi palco de discussões que revelaram avanços sem precedentes no conhecimento sobre os limites do planeta – conceito indispensável para determinar uma agenda dedicada à sustentabilidade global.
No entanto, nada disso se refletiu no documento final da conferência, intitulado “O Futuro que queremos”, que teve até mesmo o termo “ciência” cortado do único tópico onde aparecia com destaque, de acordo com cientistas reunidos no dia 23 de agosto no 2º Workshop Conjunto BIOTA-BIOEN-Mudanças Climáticas: o futuro que não queremos – uma reflexão sobre a RIO+20.
O evento, realizado na sede da FAPESP, reuniu pesquisadores envolvidos com os três grandes programas da FAPESP sobre temas relacionados ao meio ambiente – biodiversidade (BIOTA-FAPESP), bioenergia (BIOEN) e mudanças climáticas globais (PFPMCG) – com a finalidade de fazer uma avaliação crítica dos resultados da RIO+20, especialmente no que diz respeito às perspectivas de participação da comunidade científica nas discussões internacionais nos próximos anos.
De acordo com Carlos Alfredo Joly, coordenador do Programa BIOTA-FAPESP, a comunidade científica brasileira e internacional se mobilizou intensamente durante a RIO+20 e chegou à conferência preparada para fornecer subsídios capazes de influenciar a agenda de implementação do desenvolvimento sustentável.
“Nada disso se refletiu na declaração final. Chegou-se a um documento genérico, que não determina metas e prazos e não estabelece uma agenda de transição para uma economia mais verde ou uma sustentabilidade maior da economia”, disse Joly à Agência FAPESP.
A maior esperança dos cientistas para que a conferência tivesse um resultado concreto, de acordo com Joly, era que o texto final reconhecesse, já em sua introdução, o conceito de limites planetários, proposto em 2009 por Johan Rockström, da Universidade de Estocolmo. A expectativa, porém, foi frustrada.
“De 1992 até hoje, tivemos um grande avanço no conhecimento em relação aos limites planetários e o trabalho de Rockström já se tornou um clássico. Destacar isso no texto final poderia contribuir para uma mudança de paradigmas que definiria uma nova trajetória para o planeta. Mas isso não foi feito”, disse.
Rockström, do Stockholm Resilience Centre Planetary, participou do workshop por meio de videoconferência, e apresentou palestra sobre o tema “Planetary boundaries are valuable for policy”.
O fato do avanço do conhecimento científico não estar refletido no documento, entretanto, não deve ser usado como argumento para desestimular a comunidade científica que trabalha nessa área ambiental, segundo Joly.
“Para nós que trabalhamos com a biodiversidade, a prioridade agora volta a ser a discussão sobre o veto às mudanças no código florestal, uma questão que ainda está em aberto”, disse.
O tema da biodiversidade, segundo Joly, recebeu muito pouca atenção no documento final da RIO+20, embora seja uma das áreas em que os limites planetários de segurança já foram extrapolados.
“Praticamente todas as referências a uma agenda para a biodiversidade foram cortadas do texto. O documento zero, que foi o ponto de partida para a declaração, tinha seis parágrafos sobre a biodiversidade nos oceanos, com metas e agenda, por exemplo. No texto final são 19 parágrafos, mas nenhum deles estabelece metas ou agenda”, afirmou Joly.
Conteúdo vago
Paulo Artaxo, membro da coordenação do PFPMCG, destacou que as menções à questão das mudanças climáticas também foram quase nulas. “O texto final da RIO+20 tem 53 páginas, divididas em 283 tópicos. Desse total, apenas três tópicos mencionam a questão do clima. Para se ter uma ideia, há seis tópicos sobre igualdade de gênero e dez sobre lixo químico – que são temas importantes, mas não envolvem a mesma escala e urgência do problema do clima”, disse
Além da escassez, o conteúdo das menções à questão do clima é muito vago, segundo Artaxo. “O texto se limita a afirmar que as mudanças climáticas estão entre os maiores desafios do nosso tempo e que o tema gera preocupação, por exemplo”, disse.
Para o pesquisador, no entanto, seria ingenuidade acreditar que a conferência poderia trazer soluções imediatas para a questão da sustentabilidade global. A oportunidade perdida na conferência foi a de contribuir para acelerar as decisões necessárias.
“O problema é enorme e envolve todo o sistema de produção que roda a economia e a política de todo o nosso planeta. Uma questão desse porte não pode ser resolvida em uma única reunião, ou mesmo em uma década. O equacionamento vai demorar pelo menos mais 10 anos – o nosso problema é que não temos todo esse tempo”, disse.
Para Artaxo, a RIO+20 evidenciou que o mundo se ressente da falta de governança para lidar com a questão do clima global. “Não temos entidades que possam implementar políticas globais com impacto importante na economia do planeta para enfrentar os desafios do clima. Se é difícil reduzir emissões de CO², poderíamos tentar reduzir as emissões de metano e ozônio, por exemplo. Mas isso exige um sistema de governança que a RIO+20 mostrou claramente não existir”, afirmou.
Fábio Feldman, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas, apontou que a falta de liderança pode ter comprometido os resultados da RIO+20. Segundo ele, a RIO92 (ou ECO-92), por exemplo, obteve mais sucesso porque na época o interlocutor brasileiro com os chefes de estado foi o físico José Goldemberg.
“Se perguntarmos aos diplomatas brasileiros, dirão que RIO+20 foi um grande sucesso, porque para eles o importante era chegar a um documento final, mesmo que inócuo. O fato do professor Goldemberg não ser um diplomata foi um fator importante para o sucesso da ECO-92”, afirmou.
Feldman afirmou que, apesar de tudo, fora da reunião de alto nível, a RIO+20 contou com iniciativas importantes, como a participação ativa do setor empresarial e a mobilização da comunidade científica para criar o programa Future of Earth.
Alice Abreu, coordenadora da Iniciativa RIO+20 do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU, na sigla em inglês), fez um balanço das atividades do "Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development” – o principal evento científico realizado em paralelo à conferência.
“O evento teve mais de mil participantes, além de outros mil que acompanharam pela internet. Foram 11 sessões temáticas, onde 110 cientistas de 75 países discutiram temas centrais para o desenvolvimento sustentável. Houve ainda 24 eventos paralelos que congregaram cerca de 100 palestrantes. Tivemos duas sessões de política científica e a sessão de encerramento foi um diálogo de alto nível entre representantes da ciência e da política”, contou.
O fórum foi o palco do lançamento do Future Earth, uma iniciativa internacional de pesquisa interdisciplinar do sistema terrestre para a sustentabilidade global.
“O objetivo é prover, nos próximos dez anos, o conhecimento necessário para que as sociedades possam enfrentar os riscos das mudanças ambientais e desenvolver transições adequadas para uma sustentabilidade global”, disse.
Segundo Abreu, além da iniciativa concreta do programa Future Earth, o fórum contou com debates entre os cientistas, que geraram recomendações importantes para a agenda mundial da sustentabilidade global.
“Duas recomendações foram centrais: uma maior colaboração entre as ciências naturais e as ciências sociais – tema debatido em praticamente todas as sessões – e uma política científica mais integrada com outros atores, de forma a estabelecer um novo contrato entre ciência e sociedade”, afirmou. 

Estudo mostra danos causados pela poluição à saúde de profissionais que trabalham no trânsito


Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – Os profissionais que trabalham diariamente no trânsito, expostos à poluição das ruas, estão mais sujeitos a doenças do que os que atuam em áreas menos poluídas. A conclusão está em um estudo feito, na capital paulista, por pesquisadores das universidades Federal de São Paulo (Unifesp), USP e Harvard (EUA).
Os pesquisadores acompanharam grupos altamente vulneráveis aos gases poluentes expelidos pelos veículos: 71 taxistas e 30 funcionários da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), que são responsáveis pela fiscalização do trânsito. Para efeito de comparação, foi analisado um grupo menos vulnerável, de 20 trabalhadores do Horto Florestal, que fica na Serra da Cantareira, região da capital com menor nível de poluição.
Após quatro anos de pesquisa, os cientistas chegaram à conclusão de que o grupo exposto à poluição do trânsito sofreu vários tipos de danos no organismo. A pesquisa envolveu 90 cientistas, de especialidades como oftalmologia, clinica médica, cardiologia, pneumologia, patologia e até matemática.
O coordenador da pesquisa, o professor Paulo Saldiva, do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, disse, em entrevista à Agência Brasil, que o ar poluído provocou inflamação nos olhos e pulmão, alterações na pressão arterial e no ritmo cardíaco, distúrbio pró-coagulante, maior tendência à obesidade, conjuntivite, rinite e maior número de quebras cromossômicas, o que significa mais risco de câncer, “tanto nas mucosas expostas, quanto nas células circulantes”, disse.
Além de professor da USP, Saldiva é membro do Comitê Científico da Universidade de Harvard e fez parte do Comitê da Organização Mundial da Saúde (OMS) que definiu padrões de qualidade do ar. Ele destacou que, além do maior risco de doenças, os taxistas e controladores de tráfego apresentaram “ações adaptativas”, ou seja, quando o corpo precisa se adaptar e trabalhar no limite, devido às situações de ruído e estresse, comuns aos grandes centros urbanos. “Por exemplo, no controle da pressão arterial, o sistema que inibe que a gente aumente a pressão está ligado no máximo”, explicou.
O estudo avaliou também as variações no estado de saúde dentro do grupo mais exposto à poluição. Ficou comprovado que, à medida em que os poluentes aumentam, o organismo também piora.
As conclusões foram apresentadas hoje (23), na cidade de São Paulo, durante o Seminário Científico da Poluição Ambiental. Segundo Saldiva, os estudos ainda não estão concluídos e a apresentação de hoje trouxe uma noção geral dos resultados. Os cientistas ainda formularão um relatório que será encaminhado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que financiou a pesquisa.

Edição: Aécio Amado


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Pesquisa aponta que serviço de saneamento básico é precário em todo o país


Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Os novos prefeitos e vereadores, a serem eleitos em outubro, irão enfrentar grandes desafios durante o mandato para melhorar a qualidade de vida dos moradores de suas cidades. Um dos maiores é o serviço de saneamento básico, problema comum à maior parte dos municípios brasileiros.
Quase a metade da população das 100 maiores cidades do Brasil ainda não conta com a coleta de esgotos. Os dados foram divulgados hoje (16) pelo Instituto Trata Brasil e referem-se a levantamento feito em parceria com a empresa GO Associados.
O Instituto Trata Brasil é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que tem o objetivo de incentivar uma mobilização nacional para que o país possa atingir a universalização do acesso à coleta e ao tratamento de esgoto.
Segundo a pesquisa, diariamente, são despejados em torno de 8 bilhões de litros de fezes, urina e outros dejetos nas águas dos córregos, dos rios e do mar. E pouco mais de um terço ou 36,28% da coleta de esgoto passa por tratamento.
Com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto Trata Brasil informou que nessas 100 cidades vivem 40% dos habitantes do país ou 77 milhões de um total de 191 milhões de pessoas. Mais de 31 milhões moram em lugares onde o esgoto corre a céu aberto.
Embora esse volume seja expressivo, o nível de cobertura supera a média nacional com a coleta existente em 59,1% dos 100 municípios ante 46,2% quando se inclui as demais cidades brasileiras. Em 34 cidades, mais de 80% da população têm o esgoto coletado e entre estas cinco atendem todo o município: Belo Horizonte (MG), Santos (SP), Jundiaí (SP), Piracicaba (SP) e Franca (SP).
A pesquisa aponta que em 32 municípios, a coleta varia entre 0% a 40% e em 34, de 41% a 80%. Quanto ao esgoto tratado foi verificado que em 40 cidades, este serviço não ultrapassa a 20% da coleta. Já o nível de excelência ou acima de 81% só existe em seis localidades: Sorocaba (SP), Niterói (RJ), São José do Rio Preto (SP), Jundiaí (SP), Curitiba (PR) e Maringá (PR).
Em outras nove, o índice supera os 70%: Ribeirão Preto (SP); Londrina (PR), Uberlândia (MG), Montes Claros (MG), Santos (SP), Franca (SP), Salvador (BA), Petropólis (RJ) e Ponta Grossa (PR).
Na média, os 100 municípios destinaram 28% de sua receita em obras de saneamento a maioria num total de 60 não chegou a utilizar 20% dos recursos na ampliação dos serviços. E entre as oito cidades que aplicaram mais de 80% da verba os destaque são : Ribeirão das Neves (MG), Recife (PE), Teresina (PI), Praia Grande (SP) e Vitória (ES).
Em relação à distribuição de água tratada, o serviço é oferecido por 90,94% das cidades, acima da média nacional (81,1%). Mas a pesquisa mostra que ainda faltam melhorias porque em 11 cidades, o atendimento está abaixo de 80% da população.
Edição: Beto Coura

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cientistas receberão recursos a fundo perdido para levar sustentabilidade à Amazônia


Carolina Gonçalves

Repórter da Agência Brasil
Brasília – Nos próximos dias serão anunciadas regras que pretendem atrair a comunidade científica para a Amazônia. A aposta do governo federal é financiar projetos de ciência e inovação tecnológia, a fundo perdido, para levar soluções sustentáveis para a região e mudar a lógica econômica, ainda associada ao desmatamento.
Os editais ainda não estão concluídos. Encarregado de acompanhar o desenho dos financiamentos, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, Carlos Nobre, adiantou à Agência Brasil, que “algumas propostas são voltadas para potenciais já reconhecidos da região, que passarão a ter mais conhecimento agregado e investimento, enquanto outras buscam soluções inovadoras”.
Em meio à expectativa sobre os temas contemplados no financiamento federal, uma aposta é que seja incluída a valoração dos serviços ambientais. O assunto vem sendo levantado tanto pelo governo quanto por organizações ambientais que defendem uma nova métrica para medir o desenvolvimento e crescimento do país, em substituição ao PIB (Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços produzidos no país), incluindo indicadores ambientais na conta.
“Para que entrem no cálculo de mensuração da economia, precisamos entender o que são esses serviços, inclusive como o ciclo de carbono interage no aquecimento global”, antecipou Nobre.
O estímulo a cientistas e pesquisadores soma pelo menos R$ 100 milhões, já previamente aprovados pelo Comitê Orientador do Fundo da Amazônia, com aporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“Esse dinheiro será usado para apoiar ações em sete grandes áreas [na Amazônia], que apontam o que precisa ser feito na região para mudar o paradigma do desenvolvimento”, explicou o secretário. Segundo ele, o volume de recursos pode ainda ser ampliado até a publicação dos editais.
Os detalhes dos editais estão sendo concluídos pela Financiadora de Estudos e Projetos [Finep] e ainda não têm data prevista para publicação.
Edição: Nádia Franco

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Econotas: Uma São Paulo que desejo

Econotas: Uma São Paulo que desejo: Dentro do conceito da campanha “Eu voto sustentável” sugiro que os eleitores cobrem dos candidatos a adoção de compromissos para cidades ma...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Bateria que pode ser aplicada como tinta


Agência FAPESP – Cientistas da Universidade Rice, nos Estados Unidos, desenvolveram um tipo de bateria que pode ser pintada na maioria das superfícies.

A bateria de íons de lítio é recarregável e é aplicada como se fosse tinta em spray, em camadas, com cada camada representando os componentes de uma bateria convencional. A novidade foi publicada nesta quinta-feira (28/06) na Nature Scientific Reports.
“Com isso as embalagens tradicionais das pilhas e baterias dão lugar a uma abordagem muito mais flexível, que permite inúmeros tipos de novos designs e de possibilidades de integração com dispositivos elétricos e eletrônicos”, disse Pulickel Ajayan, professor de engenharia mecânica e química da Universidade Rice.
O grupo de Ajayan experimentou diversas alternativas para conseguir representar as cinco camadas de componentes em uma bateria: dois coletores de corrente, um cátodo, um ânodo e um separador polimérico.
Os materiais foram aplicados por ar comprimido em materiais como polímeros flexíveis, azulejos, vidro, aço inoxidável e até mesmo canecas de cerveja, para ver como se aderiam a cada substrato.
Em um dos experimentos, nove azulejos com baterias aplicadas foram conectados em paralelo. Em um deles os cientistas colocaram uma célula solar que convertia energia a partir das luzes do laboratório.
Quando totalmente carregadas tanto pelo painel solar como por uma corrente elétrica, as baterias foram capazes de alimentar uma série de LEDs que se acendiam formando a palavra “RICE” por seis horas, com uma voltagem regular de 2,4 volts.
A primeira camada, do coletor de corrente positivo, é uma mistura de nanotubos de carbono de parede única com partículas de carbono dispersas em N-metilpirrolidona, um composto químico. A segunda camada, o cátodo, contém óxido de lítio-cobalto, carbono e pó ultrafino de grafite.
A terceira camada é o separador polimérico, feito de uma resina (Kynar Flex), um termoplástico transparente (PMMA) e dióxido de silício. A quarta camada, o ânodo, é composta por óxido de titânio e lítio, e a quinta camada, uma tinta condutiva à base de cobre, diluída com etanol.
“O mais difícil foi atingir estabilidade mecânica. Nisso, o separador teve um papel fundamental. Verificamos que os nanotubos e as camadas do cátodo se aderiam muito bem, mas, se o separador não fosse estável, os nanotubos se desprenderiam da superfície. Adicionar o PMMM deu ao separador a adesão correta”, disse Neelam Singh, pesquisadora do grupo de Ajayan.
Os pesquisadores da Universidade Rice entraram com pedido de patente para a técnica, que eles pretendem continuar a estudar para que possa oferecer melhor rendimento e eventualmente ser lançada comercialmente.
O artigo Paintable Battery (doi: 10.1038/srep00481), de Pulickel Ajayan e outros, pode ser lido em www.nature.com/srep/2012/120628/srep00481/full/srep00481.html

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Análise indica potencial fisiológico de semente de girassol


Por Da Redação - agenusp@usp.br
Oleo de girassol possui características importantes do ponto de vista culinário e nutricional
Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, desenvolveu procedimentos para agilizar a obtenção de informações precisas sobre o potencial fisiológico de sementes de girassol, para pesquisa e programas de controle de qualidade. O estudo da engenheira agrônoma Cartiane Rocha utilizou análises de raios X, método de precisão não destrutivo, que examina as sementes em detalhes e verifica a localização e extensão de regiões danificadas, além de análise computadorizada de plântulas por meio de um sistema chamado Seed Vigor Imaging System – SVIS®.
O trabalho foi realizado utilizando-se dez lotes de sementes de girassol do cultivar Catissol 01, tanto para avaliação da morfologia interna quanto para a análise de plântulas. As análises relativas à morfologia interna das sementes foram realizadas em apenas uma época, no início da pesquisa. Já as etapas relativas ao sistema computadorizado de imagens de plântulas e demais testes de vigor foram realizados em duas épocas, espaçadas em quatro meses.
Os resultados principais mostraram que as análises de imagens de raios X permitiram identificar danos mecânicos, má formação do embrião e tecidos deteriorados em sementes de girassol que podem ser relacionados com a presença de plântulas normais, anormais e sementes mortas no teste de primeira contagem de germinação. “Ao mesmo tempo, o SVIS® foi uma alternativa viável para a avaliação do vigor de sementes dessa espécie”, explica Cartiane.
Análise computadorizada
De acordo com a engenheira agrônoma, a análise computadorizada está fornecendo resultados bastante interessantes para diversas espécies como ocorreu para o girassol. “As vantagens desse programa incluem os resultados rápidos, consistentes e coerentes quando comparados aos testes tradicionalmente utilizados para a espécie”, ressalta. “Este sistema minimiza o erro humano na interpretação dos resultados, aumentando a confiabilidade dos dados para fins de comparação, além da possibilidade de arquivamento das imagens para análise posterior.”
Segundo a pesquisadora, o uso de raios X e do sistema Seed Vigor Imaging System – SVIS® em Tecnologia de Sementes no Brasil está, ainda, restrito ao ambiente acadêmico. “A comunidade científica tem feito o seu papel, ou seja, contribuído com informações técnicas e científicas sobre a viabilidade de utilização de imagens computadorizadas em sementes e plântulas. O próximo passo será expandir essa tecnologia e implementar a sua introdução em laboratórios de rotina envolvidos em programas de controle de qualidade de sementes”, conclui
A pesquisa foi desenvolvida nos Laboratórios de Análise de Imagens e Análise de Sementes do Departamento de Produção Vegetal (LPV) da Esalq, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O orientador foi o professor Silvio Moure Cicero, do LPV. O crescente interesse pela produção de biodiesel no Brasil e no mundo por conta da necessidade da redução dos impactos ambientais decorrentes da queima de combustíveis fósseis e da diversificação da matriz energética brasileira levou Cartiane a estudar o potencial fisiológico de sementes de girassol.
“Além desse potencial energético, o óleo de girassol possui características importantes do ponto de vista culinário e nutricional, apresentando sabor suave e aroma agradável. A semente possui cerca de 24 % de proteínas e 47,3 % de óleo, sendo rica em ácido linoleico, o mais conhecido tipo de ácido graxo, substância que não é produzida pelo organismo, mas é essencial à vida”, afirma. “Esse óleo também pode ser um aliado na prevenção de doenças cardiovasculares e no controle do nível de colesterol no sangue”.
Imagem: www.sxc.hu
Mais informações:  (19) 8139-3930; e-mail cartirocha@yahoo.com.br , com Cartiane Rocha; e-mail smcicero@usp.br, com o professor Silvio Moure Cícero

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ministro anuncia programa que prevê investimentos de R$ 2 bilhões em projetos inovadores voltados para a sustentatbilidade


Nielmar de Oliveira

Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, anunciou hoje (15), durante a inauguração da Expo Brasil Sustentável, o lançamento, na próxima semana, do Programa Brasil Sustentável que prevê investimentos de R$ 2 bilhões no desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores ligados ao conceito de sustentabilidade.
“Esses recursos serão destinados às empresas de grande porte, que terão que promover a inovação tecnológica e se adaptarem às novas modalidades de inovação com sustentabilidade”, disse. Os recursos serão liberados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
O ministro também informou que parte dos recursos, R$ 500 milhões (25% do total), será destinada “a institutos de ciência e tecnologia para que possam fazer parcerias com as pequenas e médias empresas que não têm condições de [fazer] investimento em sustentabilidade”.
A Expo Brasil Sustentável funcionará de 15 a 21 de junho, no Galpão 3, do Pier Mauá, onde 27 empresas parceiras estarão apresentando projetos sustentáveis que vão desde chuveiro elétrico movido a energia solar, casa de plástico feita a partir de material reciclado e ônibus movido a hidrogênio.
A exposição integra os eventos paralelo à Rio+20. A Finep quer liderar, no país, iniciativas voltadas para o crescimento responsável do ponto de vista ambiental e social. “Neste sentido, este evento é muito importante, pois representa uma nova visão sobre o desenvolvimento do país. É uma visão que harmoniza a questão do desenvolvimento com a inclusão social e a preservação ambiental”, disse o ministro.
Acompanhe a cobertura multimídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) na Rio+20.
Edição: Aécio Amado

Estudo da ANA revela que quase metade das águas em área urbana tem má qualidade


Pedro Peduzzi

Repórter da Agência Brasil
Brasília – Apesar de 81% dos recursos hídricos monitorados no Brasil estarem em excelentes ou boas condições, o baixo índice de coleta e tratamento de esgotos faz com que 47% das águas localizadas em áreas urbanas sejam avaliadas como ruins ou péssimas. A constatação faz parte do estudo Panorama da Qualidade das Águas Superficiais – 2012, divulgado hoje (19) pela Agência Nacional de Águas (ANA).
Dos 1.988 pontos monitorados em 2010 pela ANA, tanto em áreas urbanas como rurais, 75% apresentaram boa condição do Índice de Qualidade de Água (IQA). O estudo mostra que 6% foram classificadas como excelente, 11% como regular, e 7% como ruim ou péssima.
A situação é bem diferente quando o meio analisado é o urbano. Em 47% dos 135 pontos monitorados, a condição da água analisada foi classificada como péssima ou ruim. A ANA atribui esse fato à “alta taxa de urbanização nessas regiões e aos baixos níveis de coleta e tratamento de esgotos domésticos”. Segundo o estudo, 45,7% dos domicílios brasileiros têm acesso à rede de esgoto. Além disso, o país trata apenas 30,5% do esgoto que gera.
A Região Hidrográfica (RH) do Paraná é a que apresentou maior índice de pontos com IQA péssimo ou ruim: 61%. É nessa RH que 32% da carga remanescente de esgotos domésticos do país são depositados. Parte dela é proveniente de São Paulo, Curitiba, Goiânia e Campinas, e das cabeceiras dos rios Tietê, Iguaçu e Meia Ponte.
Dos 658 pontos com série histórica, analisados entre 2001 e 2010, 47 apresentaram “tendência de melhora da qualidade de água”. Desses, 25 estão na RH do Paraná (24 no estado de São Paulo e um no Paraná); 17 na RH do Atlântico Sudeste e cinco na RH do São Francisco. O estudo aponta, entre eles, rios de grande densidade urbana, caso do Tietê, na cidade de São Paulo, e o Rio das Velhas, em Belo Horizonte (MG).
O estudo da ANA informa que, de acordo com órgãos gestores estaduais de recursos hídricos, a causa provável dessa melhora são “investimentos em ampliações do sistema de coleta de esgotos; de estações de Tratamento de Esgotos (ETEs), ou o aumento de sua eficiência”.
“Por outro lado, 45 pontos daqueles que apresentaram série histórica revelaram tendência de piora do IQA”, acrescentou o estudo. Desse total, a maioria (21) também está localizada na RH do Paraná, e 15 estão na RH do São Francisco.
Segundo o estudo, a piora do IQA nessas áreas se deve ao “crescimento populacional não acompanhado por investimentos em saneamento, fontes industriais e atividades agropecuárias e de mineração”. Apesar disso, a ANA avalia que “a retomada dos investimentos em saneamento ocorrida nos últimos anos já apresenta alguns resultados”, como a melhoria de alguns desses rios.
O estudo foi elaborado pela Agência Nacional de Águas com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e de órgãos gestores estaduais de recursos hídricos. As conclusões serão apresentadas amanhã (20) à tarde em evento do BID na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, na capital fluminense.
Acompanhe a cobertura multimídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) na Rio+20.
Edição: Juliana Andrade

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A importância da Justiça para a sustentabilidade



                                     Cláudio dell'Orto*
O Poder Judiciário tem papel relevante no cumprimento dos objetivos da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a ser realizada entre os dias 20 e 22 de junho. Afinal, as transformações necessárias a serem implementadas nos processos produtivos industriais e na agropecuária, os novos modelos de ocupação e uso do solo e o investimento de recursos do Estado na inclusão social e erradicação da miséria são potencialmente geradores de conflitos, cuja solução acabará recaindo nos tribunais.
As dificuldades verificadas ao longo do processo histórico recente — constatadas nos débeis resultados do Tratado das Florestas e da Agenda 21, heranças da Eco 92, realizada há 20 anos, no Rio de Janeiro, bem como do Protocolo de Quioto, que expira em 2012 — testemunham a natureza conflituosa entre as metas do crescimento econômico, da preservação ambiental e de uma distribuição mais justa da renda. Tais obstáculos agravam-se em meio ao ambiente de crise hoje enfrentado por numerosas nações, inclusive as desenvolvidas.
Governos e empresas, a despeito dos discursos politicamente corretos e das exigências da sociedade quanto à salubridade ambiental e à produção mais limpa, mostram-se resilientes a realizar investimentos a fundo perdido, característicos do aporte de capital para projetos sociais e ecológicos. Do mesmo modo, amplia-se a resistência a processos restritivos da manufatura, do mercado imobiliário e de áreas agricultáveis. Tudo muito compreensível no contexto dos impactos culturais inerentes às grandes transformações históricas. E o cumprimento dos objetivos do desenvolvimento sustentável implica, sim, uma imensa mudança, que não pode continuar a passos tão lentos como se verificou nas duas últimas décadas.
Há um descompasso entre o discurso e a ação, inclusive quando se verifica a inadimplência de alguns países com relação aos compromissos assumidos na Eco 92 e em outros tratados multilaterais. Este aspecto é matéria para o direito internacional, devendo merecer análise aprofundada na Rio+20. Afinal, é inútil produzir acordos para não serem cumpridos. No âmbito de cada país, o Judiciário será decisivo para pôr fim ao inevitável ciclo conflituoso relativo à transformação produtiva, comportamental e cultural condicionante ao advento de um planeta sustentável. Por isso, será fundamental encontrar mecanismos eficazes para dar efetividade às decisões judiciais.
Com o propósito de debater essas questões, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj) e a FGV Projetos (Fundação Getúlio Vargas Projetos), promove a Conferência Mundial de Direito e Governança para o Desenvolvimento Sustentável, de 17 a 20 de junho, na capital fluminense. Estarão presentes mais de duzentas autoridades brasileiras e estrangeiras. O encontro produzirá documento oficial a ser entregue à cúpula dos chefes de Estado da Rio+20
Algumas questões brasileiras evidenciam a importância da Justiça para a sustentabilidade. Já temos aqui, por exemplo, substantivoconteúdo jurisprudencial quanto à conceituação da função ecológica da propriedade como desdobramento do papel social da terra. No tocante às reservas legais, um dos itens polêmicos do novo Código Florestal, o Superior Tribunal de Justiça já deliberou ser ela obrigatória e inerente à propriedade.
 A Magistratura, portanto, deve estar cada vez mais preparada para que a prevalência da lei seja inexpugnável garantia da sustentabilidade. A Justiça não tem partido ou ideologia. Não éecochata e tampouco liberal quanto à exploração desmedida da natureza. É, simplesmente, a guardiã dos preceitos constitucionais, dos deveres e direitos dos indivíduos e da sociedade. É nessa condição que desempenhará papel decisivo na observância de leis e normas nacionais e tratados internacionais voltados à viabilização de um mundo economicamente próspero, socialmente justo e ambientalmente saudável.
*Desembargador Cláudio dell'Orto é presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj).

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ato Cívico contra o Rodoanel Norte


Manifestação, dia 16 de junho, sábado, pretende esclarecer sobre os prejuízos sociais e ambientais que a obra trará à cidade de São Paulo. Organizadores lembram que os R$ 6,5 bi permitiriam a construção de 24 km de metrô, 162 km de monotrilho ou 1.100 km de corredores de ônibus


Lideranças comunitárias e ambientalistas convocam um Ato Cívico contra o Rodoanel Norte. O ato público acontecerá no dia 16 de junho, sábado, das 14h às 16h, na área livre ao lado da Biblioteca de São Paulo, junto à estação de metrô Carandiru.
Na reunião, os militantes pretendem esclarecer a opinião pública sobre os problemas que a megaobra provocará ao delicado sistema da Serra da Cantareira e às áreas de amortecimento do Parque Estadual da Cantareira, além de alertar para as interferências no clima de toda a cidade.
A convocação do ato coincide com a divulgação de denúncias do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, de que as obras do Rodoanel Sul teriam servido para financiar a campanha política de Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (PSD) e José Serra (PSDB), segundo  reportagem publicada pela revista IstoÉ.
Os organizadores do Ato Cívico lembram também que a obra vai estimular o uso do automóvel particular, na contramão da tendência mundial de reduzir o carro no meio urbano: com os R$ 6,5 bilhões destinados ao projeto do Rodoanel Norte seria possível construir 24 km de metrô convencional (valor médio/km), 162 km de monotrilho semelhante ao que está sendo feito na extensão da linha 2-Verde e na linha 17-Ouro, ou ainda 1.180 km de corredores de ônibus. Por que não investir esses recursos em transporte coletivo em vez de realizar mais uma obra de estímulo ao carro particular?, questionam os militantes.

A seguir, uma lista com 17 pontos, compreendendo problemas sociais, econômicos e ambientais que serão provocados pelo trecho norte do Rodoanel. Confira:
1. A obra será uma agressão ao maior patrimônio ambiental da cidade, a Serra da Cantareira, área decretada pela Unesco como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo.
2. Contramão histórica: numa época de busca de sustentabilidade, é o que se pode dizer da proposta de construção de uma megaestrada tão próxima à área urbana (trechos a 11 km do centro), para o trânsito de carros e caminhões. “Será uma nova avenida Marginal, paralela à Marginal do Tietê”, dizem especialistas.
3. Discutível benefício para o trânsito paulistano, em função do tráfego recolhido por essa obra, que deixaria de adentrar a cidade.  Há estudos que mostram que esse benefício seria irrisório, se comparado aos transtornos ambientais e ao custo financeiro.
4. Chegada de enorme quantidade de gases, materiais particulados e ruído urbano a uma região intacta, de preservação ambiental e de mananciais. Significa levar poluição intensa à área de preservação.
5. A proposta do Ferroanel, recém anunciada pelos governos estadual e federal, a começar exatamente no Trecho Norte, contempla a retirada de cargas pesadas do centro da cidade, a um custo de obra 4 vezes menor:  R$ 1,2 bilhão.  Para que o Rodoanel, se virá o Ferroanel, que pode ter um projeto ampliado, com centros de abastecimento e descarga para os produtos com destino à Região Metropolitana de São Paulo?
6. Risco gravíssimo ao abastecimento de água a 55% de toda a população da Grande São Paulo, uma vez que o traçado proposto intercepta os troncos de abastecimento que saem da ETA Guaraú, na Pedra Branca, a maior estação de tratamento de água do Brasil.
7. O tramo Norte estaria passando em trechos a apenas 11 km do centro da cidade, enquanto em outras regiões está a mais de 20 km do centro. O seu trajeto se dá praticamente só por área de mata e terrenos livres, significando impermeabilização de uma enorme área (exemplo: Faz. Santa. Maria, no Tremembé), cujo recalque de água causará enchentes , sobrecarregando córregos que afluem ao Tietê.
8. São 44 km de estrada, com um calibre de obra de 150 metros, sem considerar as áreas de canteiro de obras, passando por enormes áreas semi.rurais e verdes em São Paulo, Guarulhos e Arujá, impactando a saúde e a qualidade de vida de toda a Grande São Paulo.
9. A demanda de tráfego nesse trecho já foi assumida pelo governo como menor do que nos outros trechos. Assim não se justifica os enormes custos financeiros e ambientais anunciados para a obra. Em termos de mobilidade urbana, é discutível a prioridade do investimento inicial de R$ 6,5 bilhões nessa obra, e não na construção de mais linhas de metrô e corredores de ônibus.
10. A serra da Cantareira cumpre funções de equilíbrio climático indiscutíveis. A colocação desse colar de asfalto e concreto junto a sua área reduzirá esse benefício à região metropolitana  que, historicamente, não deu atenção a um planejamento equilibrado. A temperatura de São Paulo, que tem na serra da Cantareira um atenuador natural, subirá inevitavelmente.
11. Prejuízo a fauna e flora únicas presentes em todo o maciço do Parque Estadual da Cantareira, principalmente em suas áreas de amortecimento, preconizadas em seu Plano de Manejo, gerando mortandades que não podem ser desconsideradas em um momento em que todo o planeta advoga a adoção de medidas de sustentabilidade. Todo o bioma da região metropolitana, já tão frágil, sofrerá tremendamente com essa obra.
12. Retirada de milhares de pessoas de suas residências, construídas ao longo de uma vida.
13. Desconsideração sumária da expressiva manifestação contrária à obra, nas diversas audiências públicas realizadas.
14. Afetação de próprios públicos, como a Emef Hélio Cel. Hélio Franco Chaves, da Capela Histórica de Três Cruzes e da Associação Cultural e Agrícola da Cachoeira (criada em 1928), na divisa de São Paulo com Guarulhos, todos com valor comunitário.  Desrespeito com o acervo histórico da primeira  estação de abastecimento de água da cidade, na Vila Rosa, atual Clube da Sabesp, onde o traçado está anunciado.
15. Infração às regras do Plano Diretor da Cidade de São Paulo.
16. A dúvida de se o Parque Estadual da Cantareira resistirá a uma obra que a transfigura, com a passagem de túneis sob sua área, com concentração de poluentes nas áreas de respiro dos túneis.
17. A falta de estudos de todos os impactos acima apontados, com um natural olhar macro para a região da Grande São Paulo, considerando qualidade de vida e saúde pública como variáveis indispensáveis e inegociáveis, com grande peso, nas análises e decisões de investimentos.
Mais informações no Blog Rodoanel (http://rodoanelnorte.wordpress.com/)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Fortalecer o setor público

Fortalecer o setor público
Em artigo no jornal Valor Econômico (29/5/2012), o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) defende a ampliação da participação do setor privado no saneamento ao afirmar que “O capital privado está presente em vários setores da infraestrutura, com diferentes níveis de intensidade e participação. Ao mesmo tempo em que libera os recursos públicos para serem aplicados em áreas essenciais como saúde, segurança e habitação”.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A indústria dos relatórios de sustentabilidade: mais informação significa maior transparência?


Por Ricardo Zibas*

            Nos últimos anos, temos acompanhado a evolução da publicação de informações socioambientais pelas corporações globais, na forma de relatórios de sustentabilidade ou de responsabilidade corporativa. Mas até que ponto a evolução na quantidade de informações é também uma evolução qualitativa?

Recentemente, a KPMG divulgou a sua última pesquisa sobre o tema, abrangendo as 100 maiores companhias de 34 países (totalizando 3.400 organizações), entre eles o Brasil. Das 100 maiores empresas brasileiras, 88 reportam informações socioambientais, colocando nosso país na 6ª posição entre os 34 países estudados. Ficamos atrás do Reino Unido (100% das 100 maiores empresas reportam), Japão (99%), África do Sul (97%), França (94%) e Dinamarca (91%). No caso da África do Sul e da França, vale lembrar que existe uma matriz regulatória que demanda a divulgação de informações socioambientais, o que é um fator preponderante para a obtenção de índices mais altos.

Considerando que o reporte no Brasil (ainda) é voluntário, temos uma publicação expressiva de relatórios, que nos coloca à frente de países como a Finlândia (85%), Estados Unidos (83%), Holanda (82%), Canadá (79%), Itália (74%), Suécia (72%) e Portugal (69%).

Entretanto, será que a quantidade de relatórios se traduz também na qualidade das informações reportadas? O estudo divide os relatórios dos países em quadrantes, e a maioria dos reportes brasileiros se enquadrou no que denominamos “arranhando a superfície (scratching the surface)”, que se caracteriza por um alto grau de eficiência na comunicação, mas sem uma maturidade de processos condizente.

Normalmente, as organizações e setores deste quadrante são as que possuem maior risco de falhar nas metas e expectativas descritas no relatório de sustentabilidade e, por consequência, estão mais sujeitos às pressões das partes interessadas, entre eles os investidores.

O principal motivo para isto é que o foco é dado para a comunicação das realizações em múltiplos canais (ou até na integração com o reporte financeiro), mas a mesma atenção não é dada aos processos de gestão, integração e origem das informações. Como resultado, temos uma comunicação muito boa, mas embasada em processos pouco desenvolvidos, que comprometem a qualidade das informações, ou seja, muito foco na forma, mas nem tanto no conteúdo.

Assim, várias metas não são atingidas, frustrando as expectativas dos públicos de interesse ou, muitas vezes, recaindo em um processo de verificação externa demasiadamente longo, cujo retrabalho contínuo passa a ser a regra, pois as informações relatadas acabam não possuindo as evidências necessárias de rastreabilidade ou gestão.

Como fugir desta armadilha? A integridade e a maturidade dos processos geradores da informação é a chave para um reporte adequado. A abordagem denominada “Fazendo a coisa certa” (Getting it right), segundo a pesquisa, consiste na ação equivalente à de organizações que adotam uma postura mais conservadora, priorizando a construção de sistemas de informação de dados socioambientais e processos de consolidação e registro de evidências, em vez de uma pura e simples superexposição de realizações, que muitas vezes não tem como demonstrar ou manter. Além disto, visando evitar a compilação dos dados e indicadores uma única vez por ano (o que denotaria falta de gestão), estas organizações utilizam auditorias externas trimestrais dos dados socioambientais, o que reduz o tempo da auditoria anual e indica lacunas ao longo do processo e a tempo de serem corrigidas.

Mais detalhes sobre a pesquisa podem ser obtidos no link:

http://www.kpmg.com/Global/en/IssuesAndInsights/ArticlesPublications/corporate-responsibility/Pages/2011-survey.aspx

*Ricardo Zibas é gerente sênior da área de Climate Change & Sustainability Services da KPMG no Brasil.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Correios apresenta práticas ambientalmente sustentáveis


Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, os Correios realizarão em todo País ações como plantio de mudas, exibição de filmes, palestras, entre outras. Um dos eventos será a solenidade de lançamento dos selos da Rio+20, na terça-feira (5), no Palácio do Planalto, com a presença da presidenta Dilma Rousseff.
Em 2011, os Correios desenvolveram diversas práticas sustentáveis, entre as quais coleta seletiva solidária, coleta e descarte adequado de malotes e lâmpadas, uniformes, palets de madeira, toners, cartuchos, baterias de celular, pneus e pilhas, dentre outros.
Só no ano passado, as ações sustentáveis dos Correios resultaram no plantio de quase 70 mil mudas em todo Brasil e na reciclagem de mais de 546 toneladas de plástico.
Nos últimos três anos, cerca de 20 mil pessoas foram beneficiadas pelo EcoPostal — programa dos Correios que possibilita a entidades sem fins lucrativos reutilizarem uniformes, malas e malotes postais sem condições de uso para confecção de bolsas, sandálias, mochilas e roupas infantis.
Essas e outras iniciativas dos Correios na área da sustentabilidade estarão expostas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, que será realizada de 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. Como patrocinadores do evento, os Correios estarão presentes em todos os espaços da conferência, com exposição de práticas socioambientais da empresa. Além disso, haverá duas agências de Correios para atendimento ao público.

Atingidos por barragens retomam mobilizações



Na próxima semana, os atingidos por barragens de todo o país voltam a se mobilizar para defender os bens naturais, denunciar o avanço do capital sobre a natureza e lutar pelos seus direitos. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) integrará as ações da Via Campesina e movimentos sociais que marcarão o 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.
 A mobilização do dia 5 de junho é em preparação para a Cúpula dos Povos, atividade dos movimentos sociais paralela à Rio+20, que acontecerá entre os dias 15 e 23 no Rio de Janeiro. Os movimentos vão denunciar as falsas soluções apresentadas pelas empresas para a preservação do meio ambiente, baseadas no aumento da apropriação dos bens naturais e na violação dos direitos humanos, e pautar os temas da soberania alimentar e energética. “A luta será contra as tentativas de privatização dos bens naturais, em especial da água e da energia. Nós do MAB vamos denunciar a contradição do modelo energético brasileiro, que se apresenta como ‘limpo’, mas deixa um rastro violação dos direitos humanos nas áreas de construção das barragens”, afirma Tatiane Paulino, da Coordenação do Movimento.
“Para o MAB, o central é a crítica do atual modelo energético brasileiro, que prioriza a geração de lucro para grandes empresas às custas de violação dos direitos dos atingidos, degradação do meio ambiente e precarização do trabalho dos trabalhadores no setor elétrico. Além disso, toda a população é prejudicada, pois paga uma das contas de energia mais caras do mundo”, afirma Joceli Andrioli, da Coordenação Nacional do MAB.
Pelos direitos dos atingidos
Na Jornada de Lutas do 14 de Março, o governo novamente se comprometeu a  pagar a dívida histórica que o Estado brasileiro tem com os atingidos e construir uma política nacional de reparação. Porém, os atingidos estão preocupados, pois mais de três meses se passaram e não foram tomadas medidas concretas. “Sabemos que, para que essas promessas saiam do papel, é necessário fazermos nossa parte enquanto movimento social: continuar em luta”, afirma Joceli.
O MAB vem pautando a necessidade de se formular uma política nacional de tratamento para os atingidos por barragens, com respeito aos direitos humanos dessa população, como os direitos à terra, ao trabalho, à educação, à saúde, à convivência comunitária, entre outros. Além disso, exige que seja criado um fundo para garantir uma adequada de reparação das perdas e prejuízos dessa população.
Em aliança com os trabalhadores do setor energético, articulados na Plataforma Operária e Camponesa para a Energia, o MAB também vai pautar a luta contra a privatização do setor elétrico. No momento, essa luta se expressa na defesa da renovação das concessões que vão vencer nos próximos anos – grande parte delas de empresas estatais e que correm o risco de serem privatizadas se forem feitos novos leilões.
Mais informações:             (11) 3392-2660    
http://www.mabnacional.org.br/