segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Simpósio Internacional debate resíduos sólidos em São Paulo


Ecos da Sardenha 2014 recebe palestrantes brasileiros e estrangeiros

Nos dias 26, 27 e 28 de agosto, o Hotel Travel Inn Live & Lodge Ibirapuera recebe o Simpósio Ecos da Sardenha 2014, evento que tem como objetivo debater gestão, tratamento e destinação final de resíduos sólidos, trazendo para o país o conteúdo apresentado no Simpósio Internacional da Sardenha, Itália, em 2013.

A edição deste ano tem como tema “Educação na Gestão de Resíduos”, visando discutir os novos paradigmas educacionais para a formação de uma sociedade consciente no trato dos resíduos sólidos.
Com uma programação diversificada, o Simpósio contará com minicursos, palestras e um workshop. Todas as atividades serão apresentadas por palestrantes internacionais e brasileiros, que participaram do Simpósio Internacional da Sardenha 2013, que teve o Brasil como país convidado de honra.

No primeiro dia de evento acontecem os minicursos com instrutores internacionais. Durante o período da manhã, o prof. Luis Diaz (Estados Unidos) fala sobre ‘Tratamento de Resíduos Sólidos’, enquanto o prof. Mario Gandini (Colômbia) discorrerá sobre o ‘Tratamento de Lixiviados’. Na parte da tarde, o prof. Raffaello Cossu (Itália) aborda ‘Gestão de Resíduos’ e o Prof. Sergio Reyes (Argentina), ‘Sistemas para Cobertura de Aterros Sanitários’.

A parte científica do Simpósio encerra-se em um workshop, que liderado pelos professores Oscar Parra (Colômbia), Emília Wanda Rutkowski (Brasil) e Carmem Helena (Equador), debaterá exclusivamente a educação, por meio da apresentação de diferentes cenários e ações que influenciam toda a cadeia de geração de resíduos, desde o consumo até a destinação final.

Em sua sexta edição, o Simpósio Ecos da Sardenha 2014 é organizado pela ONG Ecos da Natureza, Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - Seção São Paulo (ABES-SP) e International Waste Working Group (IWWG). Para participar é necessário fazer inscrição no site do evento.

Serviço:
Simpósio Ecos da Sardenha 2014
Data: 26, 27 e 28 de agosto de 2014
Local: Hotel Travel Inn Live & Lodge Ibirapuera
Rua Borges Lagoa, 1179 - Vila Clementino, São Paulo/SP

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

5 atitudes para uma cidade melhor




Em uma cidade com mais de 4,3 mil pontos viciados, segundo dados da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), que regula a limpeza pública na capital paulista, não faltam fotos e denúncias para tirar das sombras as situações de descarte irregular, estimulando soluções para uma cidade mais limpa, organizada, bonita e saudável. Um bom começo é imaginar a cidade como uma casa em grande escala: se não há cooperação, por mais que alguém limpe, sempre haverá louça suja e roupas espalhadas.   

Pensando nos problemas que mais dificultam a coleta domiciliar na cidade, a Loga Logística Ambiental de São Paulo aponta cinco atitudes que todos devem ter em mente na hora de descartar o resíduo. A Loga – Logística Ambiental de São Paulo S.A. é a concessionária é responsável pela coleta e disposição dos resíduos domiciliares e de serviço de saúde do Agrupamento Noroeste da cidade, que compreende 13 subprefeituras das zonas Norte, Oeste, Centro e parte da Leste. Com 1,9 mil colaboradores e uma frota de 212 veículos, coleta diariamente cerca de 6 mil toneladas de resíduos e atende 1,5 milhão de residências, beneficiando por volta de 7 milhões de habitantes, incluída a população flutuante.
Confira.

Ao fechar o saco de lixo, não o encha demais e amarre bem. Assim, ele não se rompe e o coletor consegue segurar pelo nó para jogá-lo no caminhão. Evite também colocar líquidos que possam vazar, causando mau cheiro, atraindo insetos e sujando a calçada.
Ponha o saco em frente ao seu portão ou no contêiner disponível para esse fim. É proibido por lei realizar descartes em terrenos baldios e áreas públicas, como canteiros centrais, esquinas e praças. O descarte nesses locais expõe o coletor a riscos de atropelamento, dificulta a parada do caminhão, aumenta a geração de pontos viciados e desrespeita um espaço que é de todos. É bom lembrar ainda que o contêiner disponível em ruas às quais o caminhão não tem acesso deve ser usado apenas para descarte de resíduo domiciliar. Entulho, sofás, colchões, carcaças de móveis e eletrodomésticos devem ser levados ao ecoponto mais próximo, para terem um destino correto.
Coloque o lixo para fora apenas duas horas antes da coleta. Se ela acontecer na madrugada ou em um horário no qual que você estará fora, ponha o lixo na calçada o mais tarde possível para diminuir o tempo de exposição à ação de catadores e animais que possam rasgar os sacos em busca de recicláveis ou alimentos.
Não faça descarte nos finais de semana, se não houver coleta na sua rua aos sábados e domingos. Se ninguém vai coletar, para que expor esse resíduo? Além de causar má aparência para o lugar onde você mora, é maior o risco de o saco ser rasgado, romper-se ou ser carregado para o bueiro por uma chuva.
Jamais descarte o resíduo domiciliar junto das papeleiras da cidade ou em pontos com acúmulo de entulho, móveis e outros grandes objetos. Além de proibido, os serviços de coleta domiciliar e de varrição/zeladoria são realizados por empresas diferentes.

Será que o caminhão passou?
O caminhão segue um plano de trabalho estabelecido pela Amlurb. Possui computador de bordo e sai da garagem com um mapa para que a rota seja cumprida sem falhas. Dia e noite, seus trajetos e paradas são acompanhados em tempo real, via GPS, pela central de monitoramento da Loga.

É ilegal e dá multa
O descarte fora do horário ou em áreas públicas é ilegal e expõe a multas que podem chegar a R$ 14.325,75, de acordo com as leis 13.478/2002 e 15.244/2010. Estabelecimentos comerciais que produzem mais de 200 litros diários de resíduos não são atendidos pela coleta domiciliar e devem contratar coleta particular. O descumprimento dessa regra pode acarretar multa de até R$ 4.775,24. Os casos de descarte irregular devem ser denunciados para o telefone 156.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Agricultura urbana ganha espaço nas grandes cidades

Por Antonio Carlos Quinto - acquinto@usp.br
Horta do Takebe, na cidade de Diadema, na região do grande ABC
O número de hortas em espaços vazios, mesmo numa grande metrópole, é uma prática comum e que gera renda a algumas famílias. “Os preços podem variar de acordo com a região e algumas pessoas chegam a viver exclusivamente desta atividade”, conta a cientista social, Michele Rostichelli. Na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, ela empreendeu um estudo para saber quem são as pessoas que produzem esses alimentos, as características destas famílias e suas origens.

Horta do Capuava, em Santo André, localizada sob um "linhão"
Na pesquisa de mestrado Entre a Terra e o Asfalto: a região metropolitana de São Paulo no contexto da agricultura urbana, Michele entrevistou componentes de 26 famílias que produzem hortaliças na Região Metropolitana de São Paulo, mais especificamente na região do ABC — nas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema e Mauá —, e no bairro de São Mateus, na zona leste de São Paulo. Boa parte destas pessoas já teve convivência com as práticas agrícolas. “A maioria vem do nordeste do Brasil ou do interior de São Paulo e chegaram por aqui para tentar a vida”, conta a pesquisadora. Foram mais de dois anos de observações e entrevistas nas áreas de plantações. Estes locais são, principalmente, sob as linhas de eletricidade da Eletropaulo, que a pesquisadora denomina como “linhões”, e terrenos vazios. “Os ‘linhões’ são espaços que abrigam as grandes torres de eletricidade onde, por segurança, não se permite a construção de moradias e o plantio de árvores de grande porte”, explica. É justamente nesses terrenos que as pessoas cultivam suas hortaliças, principalmente alface e coentro. “Mas a produção se estende para outras culturas, como agrião, escarola, e até banana”, conta Michele. Segundo ela, a ocorrência de hortas nas cidades estudadas teve início nas décadas de 1970 e 1980, período em que se podiam encontrar chácaras e sítios nestes locais .


 Preços de mercado As hortaliças são comercializadas nos bairros próximos às plantações e os preços, segundo Michele, podem variar de acordo com a região. “Numa das hortas próximas a um bairro de classe média em Santo André, por exemplo, a alface chega a custar R$ 2,00. Mas em outro local onde a maioria dos moradores é de baixa renda, pode-se comprar por R$ 1,00. Dificilmente os preços praticados ficam acima dos valores comercializados nos grandes supermercados ou feiras livres”. Horta do Capuava, em Santo André, localizada sob um "linhão" Outra característica das hortaliças comercializadas é o não uso de agrotóxicos ou fertilizantes químicos. “Entre os entrevistados, quase todos afirmam que não se utilizam de qualquer elemento químico. Usam adubos naturais, como torta de mamona, estercos, cinzas de madeira e, por vezes, calcário para controle do ph da terra”, descreve Michele. Mesmo assim, as hortaliças não podem ser consideradas orgânicas porque as sementes adquiridas são “tratadas”. Michele conta que são compradas, principalmente, nas cidades de Suzano e Mogi das Cruzes, região da grande São Paulo, denominada “cinturão verde”.


Michele acredita que a prática da agricultura em espaços vazios das grandes cidades deve permanecer e até crescer, visto que há incentivos para criação de hortas comunitárias pela vizinhança organizada, ONGs e até de administrações municipais. “Vale lembrar que nas áreas sob os ‘linhões’ a concessão é dada pelas prefeituras”, ressalta. Em quase todas as hortas analisadas no estudo, o espaços de plantios têm, em média, 200 metros quadrados (m2) e os agricultores não dispõem de maquinários agrícolas, o trabalho é manual, “Eles usam ferramentas tradicionais, como enxadas, pás, etc.” E de acordo com a cientista social, ainda existem muitos espaços nas cidades que podem ser utilizados para a atividade.

A pesquisa de Michele teve a orientação da professora Valéria de Marcos e foi apresentada no Departamento de Geografia Humana da FFLCH.

Fotos: Divulgação Mais informações: com Michele Rostichelli, no email mix@usp.br Mais informações