sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ESALQ - O papel do gestor ambiental: entrevista com Marina Silva

Patronesse da 7ª turma de gestores ambientais da ESALQ, a ex-ministra Marina Silva falou sobre a importância deste profissional
 
Na última sexta-feira, 20/01, a ex-ministra Marina Silva foi a patronesse da 7ª Turma de bacharelandos em Gestão Ambiental, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (USP/ESALQ). Após16 anos ocupando uma vaga no Senado e outros cinco como ministra do Meio Ambiente no governo Lula, atualmente Marina Silva comanda o instituto que leva seu nome e desenvolve ações de educação e mobilização para a sustentabilidade. Em entrevista, falou sobre o papel do gestor ambiental, os desafios da profissão e a necessidade de solucionar, de forma transversal, problemas ligados à temática ambiental.
 
No Brasil existem apenas 12 bacharelados em Gestão Ambiental. Fale da importância do gestor inserido nas questões de ambiente.
Marina Silva: Nós vivemos em um mundo que cada vez mais cria problemas complexos e que exigem uma abordagem completamente nova para resolver essas questões. Uma das mudanças é a visão integrada para a resolução dos problemas, envolvendo varias áreas de conhecimento, transformando as informações em conhecimento e, de preferência, o conhecimento em sabedoria. O gestor ambiental tem a capacidade de desenvolver uma ação transversal, operando desde uma visão de administração até o uso sustentável dos recursos naturais e faz com que essa visão integrada, observando a capacidade de suporte dos ecossistemas, contribua efetivamente para a criação de um novo modelo de desenvolvimento. Por isso entendo a sustentabilidade não como uma forma de fazer as coisas, mas como uma forma de ser, uma visão de mundo, um ideal de vida que se traduz na economia, na cultura, na ciência, na tecnologia, na relação dos homens entre si e com a natureza. Isso é a sustentabilidade que o gestor ambiental pode ajudar a construir.
 
Então o gestor entra como uma mão de obra qualificada que pensa nos rumos ambientais, além dos aspectos técnicos?
MS: Sim, além dos aspectos técnicos com uma visão integrada desses problemas, compreendendo que o desenvolvimento sustentável não é apenas uma questão técnica, mas também de natureza ética, ou seja, como nós desenvolvemos hoje a capacidade e suporte dos ecossistemas, atendendo às necessidades reais das gerações presentes, sem comprometer o futuro atendimento da população.
 
Quais os desafios que esses formandos em Gestão Ambiental irão encontrar?
MS: O maior desafio é o da mudança de modelo de desenvolvimento. Como sair do atual modelo predatório e insustentável para uma nova ordem, sustentável em todas as dimensões. Por isso precisam integrar os conhecimentos e em nível econômico, social, ambiental, cultural, ético e político. O gestor ambiental tem que ter uma visão transversal dos problemas, abordar as soluções de forma integrada, aliando o saber técnico e científico aos conhecimentos associados oriundos das comunidades tradicionais e, nesse diálogo de saberes, como diz o professor Edgar Morin, estabelecer novos paradigmas para os modelos de desenvolvimento em todos os setores.
 
Inclusive o saber político?
MS: As dimensões política e ética talvez sejam as mais importantes para o encaminhamento das demais dimensões. O gestor ambiental precisa manejar todas essas ferramentas.
 
Para onde vai a Marina Silva nos rumos da política nacional?
MS: Eu estou dando a minha colaboração como cidadã, partricipando do processo de discussão e espero que a questão da sustentabilidade continue sendo uma questão relevante para o Brasil e para o mundo.
 
Caio Rodrigo Albuquerque
Jornalista
MTb 30356
caiora@esalq.usp.br

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ESALQ - Biodisel de sebo bovino


 
Pesquisa avaliou o os problemas do sistema agroindustrial do biodiesel cuja matéria-prima é o sebo bovino. 
 
A implantação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), em 2005, estimulou a produção de oleaginosas a partir da agricultura familiar e a negociação do biodiesel por leilões, impulsionando o desenvolvimento da indústria de biodiesel no país.
 
Hoje, aproximadamente 80% da produção brasileira de biodiesel provem da utilização do óleo de soja, de 9 a 15% advêm do uso de sebo bovino, cuja participação em 2009 foi quase seis vezes superior à soma do uso da mamona e da palma.
 
Porém, a gordura bovina ainda é pouco associada à produção de biodiesel, seja pela incipiência de um mercado organizado para o sebo ou pelas poucas informações acerca das transações entre fornecedores e as plantas produtoras de biodiesel.
 
A fim de compreender os problemas encontrados no sistema agroindustrial do biodiesel, especialmente no que se refere ao uso do sebo bovino como matéria-prima, o economista Gabriel Levy, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (USP/ESALQ), buscou definir variáveis que poderiam implicar maior eficiência à cadeia do biodiesel e verificar se a integração vertical é o regime de governança mais apropriado para este setor. Na pesquisa, orientada pela professora Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES), foi realizado um estudo multi-caso com oito usinas de biodiesel no Brasil que utilizam sebo bovino como matéria-prima.
 
De acordo com o pesquisador, o fato de o Brasil possuir o segundo maior rebanho bovino do mundo, aliado ao baixo preço da matéria-prima e ao alto aproveitamento desta na produção de biodiesel (até 93%), podem explicar o desenvolvimento dessa indústria no país. Além disso, Levy afirma que a utilização desta fonte de matéria-prima de um lado permite a expansão da produção sem a concorrência com a produção de alimentos, e de outro pode ser uma forma ambientalmente melhor de destinação do resíduo. "O biocombustível revelou-se um possível destino para o sebo, além dos cosméticos, sabões e ração animal. Assim, poderia resultar na menor geração de danos ambientais, como contaminação de solos e lençóis subterrâneos no despejo do material no ambiente", explica.
 
Entretanto, a produção de biodiesel com sebo bovino apresenta problemas na aquisição da matéria-prima, pela falta de coordenação na cadeia produtiva entre frigoríficos/graxarias e usinas de biodiesel. "A falta de um mercado organizado traz problemas referentes às oscilações do preço deste produto, bem como sobre a qualidade da matéria-prima, constituindo-se um ponto relevante, visto que um material de má qualidade pode implicar na geração de custos adicionais aos produtores de biodiesel, pela necessidade de tratamento do sebo e purificação dos resíduos pelas usinas. A maior consequência do problema referido é a geração de um combustível de má qualidade", afirma.
 
Integração
A pesquisa conclui que a integração vertical pode ser considerada a estrutura de governança  mais apropriada para a produção de biodiesel a partir de sebo bovino, dada a falta de padronização existente. Levy explica que o sebo é um ativo com especificidades técnicas e físicas, o que atesta tanto a necessidade de criação de normas técnicas para a padronização da matéria-prima, como também a extensão do selo social ou criação de certificação ambiental para o sebo bovino a fim de melhorar a coordenação entre os agentes das transações por meio de políticas públicas, o que poderia estimular a diversidade de matérias-primas além da possibilidade de abatimento das emissões de gases poluentes pela atividade pecuária. "A verticalização representaria um meio de reduzir os riscos associados à baixa qualidade do material, como também diminuir custos vinculados à informação sobre o produto. Neste sentido, a questão relacionada à informação justifica a percepção de que a integração vertical possa ser a configuração mais apropriada, uma vez que internalizaria as transações e reduziria os problemas relativos ao fornecimento. Assim, não apenas traria modificações positivas para ampliação do uso da matéria-prima na produção do biodiesel, como também possibilitaria alterações estruturais nas formas de comercialização do sebo bovino", conclui.
 
 
 
Ana Carolina Miotto


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Família de Curitiba estreia Test Drive Veículo Elétrico, nova atração de Itaipu

O passeio começou a ser comercializado pelo Complexo Turístico Itaipu nesta
                            sexta-feira (20).

Uma família de Curitiba estreou, na tarde desta sexta-feira (20), a mais
nova atração do Complexo Turístico Itaipu (CTI) – o Test Drive Veículo
Elétrico. O passeio permite ao turista conhecer a maior geradora de energia
elétrica do Planeta de uma forma diferente: conduzindo um carro que não
polui o ambiente e não faz barulho.

Lançado para a imprensa e para o mercado de turismo há um mês, o passeio
começou a ser comercializado para o público nesta sexta-feira. Loriel
Zanlorensi, a esposa Simone Souza da Silva e os filhos Davi, de 9 anos, e
Carlos, de 3 anos, souberam da nova atração do CTI pelo rádio, quando
programavam uma viagem de uma semana em Foz do Iguaçu.

"Ouvimos uma reportagem sobre o passeio com o veículo elétrico e fomos
buscar informações. Depois, fizemos a reserva", disse Loriel. O que a
família não imaginava é que seriam os primeiros a fazer o test drive. Todos
ficaram surpresos – e felizes – com a presença da imprensa e dos gestores
da área de turismo de Itaipu.

"É um carro muito silencioso, nem dá para perceber que está ligado. É um
passeio muito legal, que vale a pena ser feito", completou Loriel, logo
após a segunda parada do passeio, no Mirante do Vertedouro – que, para
sorte do grupo, estava com a calha direita aberta.

Ainda no mirante, o grupo foi recebido pelo superintendente de Comunicação
Social de Itaipu, Gilmar Piolla, que preside o Fundo de Desenvolvimento e
Promoção Turística do Iguaçu – o Fundo Iguaçu. A Comunicação Social é a
responsável pela gestão do turismo da usina. "É uma opção a mais para quem
visita Itaipu e o Destino Iguaçu. E uma experiência inédita de dirigir um
carro que alia desenvolvimento tecnológico com proteção ao meio ambiente",
disse Piolla.

Simone Souza comentou que, além do veículo elétrico, a família aproveitou a
estadia em Foz para conhecer outros atrativos – entre eles, a Visita
Panorâmica de Itaipu, o Refúgio Biológico, o Polo Astronômico e a
iluminação da barragem. Sem contar as Cataratas do Iguaçu, eleitas em 2011
como uma das Novas Sete Maravilhas da Natureza. "Ficamos maravilhados. Uma
semana é pouco para conhecer tudo o que Foz oferece", disse.

Como funciona

O circuito do test drive tem 20,4 quilômetros, com saída do Centro de
Recepção de Visitantes (CRV) e passagem pelo Canal da Piracema, Mirante do
Vertedouro, Mirante Central, cota 144 (ao lado dos condutos forçados), cota
225 (no alto da barragem) e Barragem de Enrocamento. A duração do passeio é
de uma hora, com três paradas. Antes de embarcar no VE, o visitante também
poderá assistir ao vídeo institucional da usina.

Para fazer o test drive, o turista deverá portar Carteira Nacional de
Habilitação (CNH), dentro do prazo de validade, e assinar um termo de
responsabilidade. Monitores acompanham toda a visita, com orientações sobre
a condução do veículo, normas de segurança, e também sobre Itaipu, o
Projeto VE e as ações ambientais promovidas pela usina.

A tarifa será de R$ 150 por saída, mas até o dia 29 de fevereiro haverá
desconto promocional de 50%. No passeio, poderão embarcar no veículo o
condutor e até dois convidados. O valor será o mesmo, independentemente do
número de passageiros.

As visitas acontecem às 9h, 10h, 14h e 15h (os horários poderão ser
ampliados, conforme a demanda). Mas é importante agendar com antecedência o
passeio – o telefone é 0800-645-4645.

Presidente da Embratur visita Itaipu

A passeio em Foz do Iguaçu, o presidente da Embratur, Flávio Dino,
aproveitou para conhecer – como turista – as atrações do Complexo Turístico
Itaipu. Acompanhado dos dois filhos (Vinícius, de 17 anos, e Marcelo, de
14), o presidente foi recebido às 9h30 desta sexta-feira (20) pelo
superintendente de Comunicação Social, Gilmar Piolla, no Centro de Recepção
de Visitantes, onde assistiu ao filme institucional da empresa e de onde
partiu, dirigindo um veículo elétrico, para percorrer os atrativos da
usina.

Dino elogiou a qualidade do receptivo da Itaipu e ressaltou o papel da
empresa na promoção de Foz do Iguaçu como destino turístico. "É um esforço
louvável. Outras empresas também deveriam enxergar o grande potencial do
turismo na geração de renda e de empregos e investir nesse setor", afirmou.

O presidente da Embratur também destacou a eleição das Cataratas do Iguaçu
como uma das Novas Sete Maravilhas da Natureza. "Hoje há um protocolo
assinado pelas secretarias municipais do Rio de Janeiro e de Foz do Iguaçu
para promover as Maravilhas do Brasil. E a Embratur tem muito interesse em
desenvolver esse tipo de parceria para a promoção de destinos integrados",
completou.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Rio+20 será marco na história, diz diretora-geral da Unesco

Renata Giraldi Repórter da Agência Brasil Brasília - A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova, disse hoje (18) que a Conferência Rio+20, programada para ocorrer entre 13 e 22 de junho, no Rio de Janeiro, será um marco histórico mundial. A diretora-geral acrescentou ainda que o resultado da Rio+20 será de grande "importância" para o meio ambiente global nos próximos dez anos. As informações são da Unesco. "Rio+20 deve ser lembrada como um marco [histórico]. É o início de uma transição global verde. Essa é a visão da Unesco que orienta nosso trabalho no desenvolvimento de ações nas áreas de educação, ciências, cultura, informação e comunicação para um futuro mais sustentável", disse Bokova. Segundo a diretora-geral, a conferência oferecerá ao mundo a “oportunidade única” de avançar na construção de uma agenda global para o desenvolvimento sustentável. De acordo com Irina Bokova, todos devem se esforçar na elaboração das propostas e na execução das ações – países desenvolvidos e em desenvolvimento. Bokova disse ainda que a falta de diálogo entre os líderes políticos e gestores contribui para acentuar a “grave degradação dos recursos naturais do mundo”. Pelo menos cem presidentes da República e primeiros-ministros são esperados na Rio+20, além de 50 mil credenciados. Os demais números referentes às pessoas que trabalharão no evento – direta e indiretamente – e visitantes ainda estão sendo calculados. A Rio+20 ocorre duas décadas depois de outra conferência que marcou época, a Rio 92. O objetivo agora é definir um modelo internacional para os próximos 20 anos com base na preservação do meio ambiente, mas com o foco na melhoria da condição de vida a partir da erradicação da pobreza, por meio de programas sociais, da economia verde e do desenvolvimento sustentável para uma governança mundial. A conferência conta com o apoio e o comando da Organização das Nações Unidas (ONU). O secretário-geral do encontro é o diplomata chinês Sha Zukang. Porém, a presidenta da conferência é Dilma Rousseff. Edição: Talita Cavalcante

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Emissões de CO2 podem retardar início da próxima Era Glacial, diz estudo


09/01/2012 - 11h36

Da BBC Brasil
Brasília - As emissões de dióxido de carbono (CO2) causadas pela ação do homem terão o efeito de retardar o início da próxima Era Glacial, segundo afirma um novo estudo.
A última Era Glacial terminou há 11.500 anos, e os cientistas vêm há tempos discutindo quando a próxima começaria.
Os pesquisadores usaram dados da órbita da Terra e outros itens para encontrar o período interglacial mais parecido com o atual.
Em um artigo publicado na revista Nature Geoscience, eles afirmam que a próxima Era Glacial poderia começar em 1.500 anos, mas que isso não acontecerá por causa do alto nível de emissões.
“Nos atuais níveis de CO2, mesmo se as emissões parassem agora teríamos provavelmente uma longa duração interglacial determinada por quaisquer processos de longo prazo que poderiam começar para reduzir o CO2 atmosférico”, afirma o coordenador da pesquisa, Luke Skinner, da Universidade de Cambridge.
Segundo eles, a transição para a  última Era Glacial foi sinalizada por um período quando o esfriamento e o aquecimento se revezaram entre os hemisférios norte e sul, provocados por interrupções na circulação global de correntes oceânicas.
Grupos que se opõem à limitação das emissões de gases do efeito estufa já citam o estudo como uma razão para apoiar a manutenção das emissões humanas de CO2.
O grupo britânico Global Warming Policy Foundation, por exemplo, cita um ensaio de 1999 dos astrônomos Fred Hoyle e Chandra Wickramasinghe, que argumentavam: “A volta das condições da Era Glacial deixariam grandes frações das maiores áreas produtoras de alimentos do mundo inoperantes, e levaria inevitavelmente à extinção da maioria da população humana presente”.
“Precisamos buscar um efeito estufa sustentado para manter o presente clima mundial vantajoso. Isso implica a habilidade de injetar efetivamente gases do efeito estufa na atmosfera, o oposto do que os ambientalistas estão erroneamente defendendo”, dizem.
Luke Skinner e sua equipe já antecipavam esse tipo de reação. “É uma discussão filosófica interessante. Poderíamos estar melhor em um mundo mais quente do que em uma glaciação? Provavelmente sim”, observa.
“Mas estaríamos perdendo o ponto central da discussão, porque a direção em que estamos indo não é manter nosso clima quente atual, mas um aquecimento ainda maior, e adicionar CO2 a um clima quente é muito diferente de adicionar a um clima frio”, diz.
“O ritmo de mudança com o CO2 é basicamente sem precedentes, e há enormes consequências se não pudemos lidar com isso”, afirma Skinner.