quinta-feira, 28 de abril de 2016

Cadeias de negócios sustentáveis em prol do meio ambiente



* por Thiago Terada

Durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP21, realizada em 2015, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir em 37% a emissão de gases do efeito estufa até 2025. Para 2030, o objetivo é ainda mais desafiador: minimizar a emissão de gases em 43%, zerar o desmatamento na Amazônia Legal e restaurar 12 milhões de hectares de florestas.

Para que o país atinja esses números, além do reflorestamento, fiscalização e criação de unidades de conservação, é preciso apostar também em alternativas de uso sustentável da floresta pelas mais de 4 milhões de pessoas que lá vivem. Uma oportunidade para atingir a meta é por meio do extrativismo sustentável, iniciativa que consiste na manutenção das florestas em pé, para que seus frutos e sementes sirvam como uma fonte de renda aos moradores das comunidades ribeirinhas e pequenos núcleos de agricultura familiar através do SAF – Sistema Agroflorestal.

O objetivo é fazer com que as famílias que vivem em áreas como a região amazônica não dependam apenas de atividades como a monocultura de mandioca e a pesca, por exemplo. Dessa forma, é possível respeitar as sazonalidades e ainda beneficiar as comunidades extrativistas.

Atentas à tendência global de vegetalizar as formulações que produzem, as indústrias de cosméticos e higiene pessoal podem ser vistas como importantes agentes no processo de extrativismo sustentável. Isso porque grandes companhias globais passaram a buscar na natureza alternativas eficientes, como frutos e sementes com propriedades capazes de auxiliar no tratamento dos cabelos e do corpo.

No entanto, para que essa parceria entre indústria e comunidade seja colocada em prática, é necessário investir na criação de uma cadeia de fornecimento sustentável, na qual seja possível comprar os insumos naturais, criar competências empreendedoras nestas comunidades e ainda repartir benefícios com as famílias fornecedoras de matérias-primas. Esse modelo de negócio propõe que sejam promovidas alianças entre as empresas do setor, ONGs, academias e órgãos governamentais, para contribuir com o desenvolvimento dessas famílias por meio da promoção do conhecimento, da transferência de tecnologias, do aprimoramento técnico e da capacitação de pessoas.

Um exemplo prático de como o extrativismo sustentável ajuda a promover a melhoria social e a preservação do meio ambiente está na cadeia do pracaxi e murumuru, no estado do Pará. Em um levantamento feito em parceria com uma academia, foi constatado que, em determinadas regiões, para cada 1 real investido no extrativismo sustentável, são retirados 3,6 reais da mão da obra em madeireiras ilegais. Somado a isso, temos o aumento da eficiência de políticas públicas como o Seguro-defeso e a Bolsa Verde que criam incentivos para colaborar nesse processo.
Esse é apenas um dos trabalhos que encontramos no país capazes de ajudar a conter o desmatamento e a degradação ambiental. O ponto principal é que as florestas devem ser vistas como uma fonte de recursos finitos e essencial para a sobrevivência da humanidade. Sua preservação é o passaporte para um futuro com mais esperança para as futuras gerações.

Thiago Terada é Gerente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Beraca, líder global no fornecimento de ingredientes naturais provenientes da biodiversidade brasileira para as indústrias de cosméticos, produtos farmacêuticos e cuidados pessoais

quarta-feira, 27 de abril de 2016

27 DE ABRIL: DIA MUNDIAL DA ANTA


Data chama atenção para a necessidade da conservação em todo o mundo. A INCAB – Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, do IPÊ, conta com o maior e mais completo banco de dados sobre a anta brasileira do mundo


O mundo possui quatro espécies de anta: A anta-da-montanha (Andes), a anta-centro-americana (América Central), a anta-malaia (Sudeste Asiático) e a anta-sul-americana ou brasileira (11 países sul-americanos). Todas elas são listadas como ameaçadas de extinção, segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). 

As ameaças à sobrevivência dessas espécies inspiraram a criação de um DIA MUNDIAL - 27 de Abril - que celebra a importância das antas para o meio ambiente, e chama a atenção para a urgência de sua conservação.

Na América do Sul, a anta é o maior mamífero terrestre que existe. É considerada também a jardineira das florestas por ser uma excelente dispersora de sementes, contribuindo desta forma para a formação e manutenção da biodiversidade. No Brasil, a espécie ocorre nos biomas Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Amazônia. A Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, trabalha com pesquisa científica, planejamento de ações conservacionistas, educação ambiental, treinamento e capacitação, turismo científico e comunicação, no intuito de conservar as antas em todo o país. A INCAB possui o maior banco de dados sobre a espécie no mundo, resultado de um trabalho ininterrupto que completa 20 anos de existência em 2016.

"O nosso grande diferencial é a pesquisa científica de longa duração, que é de extrema importância no processo de gerar informações para alimentar e subsidiar o desenvolvimento de ações de conservação realistas e efetivas. Grande parte das informações que utilizávamos anteriormente para avaliar o risco de extinção das antas na natureza provinha de estudos em cativeiro. Atualmente, depois de trabalhos de pesquisa rigorosos na Mata Atlântica, Pantanal e Cerrado, contamos com um banco de dados consolidado com informações de antas em vida selvagem. Podemos, por exemplo, calcular alguns parâmetros reprodutivos da espécie tais como índices de mortalidade de filhotes, intervalos entre nascimentos, com base em nossos resultados de pesquisa", diz Patrícia Medici, pesquisadora do IPÊ e coordenadora da INCAB.

Apesar de a espécie ser tão importante para o equilíbrio de ecossistemas, no Brasil o nome "anta" possui uma conotação pejorativa - comparando-o a um ser desprovido de inteligência. O que é um enorme erro, segundo a pesquisadora. "A anta tem uma quantidade imensa de neurônios. Há pesquisas que mostram isso. Ao contrário do que dizem, é um animal extremamente inteligente. Usar o nome 'anta' como xingamento é completamente injusto. Por isso, em nossas campanhas de sensibilização usamos o slogan 'anta é elogio'”, defende Patrícia.