sexta-feira, 29 de junho de 2012

Bateria que pode ser aplicada como tinta


Agência FAPESP – Cientistas da Universidade Rice, nos Estados Unidos, desenvolveram um tipo de bateria que pode ser pintada na maioria das superfícies.

A bateria de íons de lítio é recarregável e é aplicada como se fosse tinta em spray, em camadas, com cada camada representando os componentes de uma bateria convencional. A novidade foi publicada nesta quinta-feira (28/06) na Nature Scientific Reports.
“Com isso as embalagens tradicionais das pilhas e baterias dão lugar a uma abordagem muito mais flexível, que permite inúmeros tipos de novos designs e de possibilidades de integração com dispositivos elétricos e eletrônicos”, disse Pulickel Ajayan, professor de engenharia mecânica e química da Universidade Rice.
O grupo de Ajayan experimentou diversas alternativas para conseguir representar as cinco camadas de componentes em uma bateria: dois coletores de corrente, um cátodo, um ânodo e um separador polimérico.
Os materiais foram aplicados por ar comprimido em materiais como polímeros flexíveis, azulejos, vidro, aço inoxidável e até mesmo canecas de cerveja, para ver como se aderiam a cada substrato.
Em um dos experimentos, nove azulejos com baterias aplicadas foram conectados em paralelo. Em um deles os cientistas colocaram uma célula solar que convertia energia a partir das luzes do laboratório.
Quando totalmente carregadas tanto pelo painel solar como por uma corrente elétrica, as baterias foram capazes de alimentar uma série de LEDs que se acendiam formando a palavra “RICE” por seis horas, com uma voltagem regular de 2,4 volts.
A primeira camada, do coletor de corrente positivo, é uma mistura de nanotubos de carbono de parede única com partículas de carbono dispersas em N-metilpirrolidona, um composto químico. A segunda camada, o cátodo, contém óxido de lítio-cobalto, carbono e pó ultrafino de grafite.
A terceira camada é o separador polimérico, feito de uma resina (Kynar Flex), um termoplástico transparente (PMMA) e dióxido de silício. A quarta camada, o ânodo, é composta por óxido de titânio e lítio, e a quinta camada, uma tinta condutiva à base de cobre, diluída com etanol.
“O mais difícil foi atingir estabilidade mecânica. Nisso, o separador teve um papel fundamental. Verificamos que os nanotubos e as camadas do cátodo se aderiam muito bem, mas, se o separador não fosse estável, os nanotubos se desprenderiam da superfície. Adicionar o PMMM deu ao separador a adesão correta”, disse Neelam Singh, pesquisadora do grupo de Ajayan.
Os pesquisadores da Universidade Rice entraram com pedido de patente para a técnica, que eles pretendem continuar a estudar para que possa oferecer melhor rendimento e eventualmente ser lançada comercialmente.
O artigo Paintable Battery (doi: 10.1038/srep00481), de Pulickel Ajayan e outros, pode ser lido em www.nature.com/srep/2012/120628/srep00481/full/srep00481.html

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Análise indica potencial fisiológico de semente de girassol


Por Da Redação - agenusp@usp.br
Oleo de girassol possui características importantes do ponto de vista culinário e nutricional
Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, desenvolveu procedimentos para agilizar a obtenção de informações precisas sobre o potencial fisiológico de sementes de girassol, para pesquisa e programas de controle de qualidade. O estudo da engenheira agrônoma Cartiane Rocha utilizou análises de raios X, método de precisão não destrutivo, que examina as sementes em detalhes e verifica a localização e extensão de regiões danificadas, além de análise computadorizada de plântulas por meio de um sistema chamado Seed Vigor Imaging System – SVIS®.
O trabalho foi realizado utilizando-se dez lotes de sementes de girassol do cultivar Catissol 01, tanto para avaliação da morfologia interna quanto para a análise de plântulas. As análises relativas à morfologia interna das sementes foram realizadas em apenas uma época, no início da pesquisa. Já as etapas relativas ao sistema computadorizado de imagens de plântulas e demais testes de vigor foram realizados em duas épocas, espaçadas em quatro meses.
Os resultados principais mostraram que as análises de imagens de raios X permitiram identificar danos mecânicos, má formação do embrião e tecidos deteriorados em sementes de girassol que podem ser relacionados com a presença de plântulas normais, anormais e sementes mortas no teste de primeira contagem de germinação. “Ao mesmo tempo, o SVIS® foi uma alternativa viável para a avaliação do vigor de sementes dessa espécie”, explica Cartiane.
Análise computadorizada
De acordo com a engenheira agrônoma, a análise computadorizada está fornecendo resultados bastante interessantes para diversas espécies como ocorreu para o girassol. “As vantagens desse programa incluem os resultados rápidos, consistentes e coerentes quando comparados aos testes tradicionalmente utilizados para a espécie”, ressalta. “Este sistema minimiza o erro humano na interpretação dos resultados, aumentando a confiabilidade dos dados para fins de comparação, além da possibilidade de arquivamento das imagens para análise posterior.”
Segundo a pesquisadora, o uso de raios X e do sistema Seed Vigor Imaging System – SVIS® em Tecnologia de Sementes no Brasil está, ainda, restrito ao ambiente acadêmico. “A comunidade científica tem feito o seu papel, ou seja, contribuído com informações técnicas e científicas sobre a viabilidade de utilização de imagens computadorizadas em sementes e plântulas. O próximo passo será expandir essa tecnologia e implementar a sua introdução em laboratórios de rotina envolvidos em programas de controle de qualidade de sementes”, conclui
A pesquisa foi desenvolvida nos Laboratórios de Análise de Imagens e Análise de Sementes do Departamento de Produção Vegetal (LPV) da Esalq, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O orientador foi o professor Silvio Moure Cicero, do LPV. O crescente interesse pela produção de biodiesel no Brasil e no mundo por conta da necessidade da redução dos impactos ambientais decorrentes da queima de combustíveis fósseis e da diversificação da matriz energética brasileira levou Cartiane a estudar o potencial fisiológico de sementes de girassol.
“Além desse potencial energético, o óleo de girassol possui características importantes do ponto de vista culinário e nutricional, apresentando sabor suave e aroma agradável. A semente possui cerca de 24 % de proteínas e 47,3 % de óleo, sendo rica em ácido linoleico, o mais conhecido tipo de ácido graxo, substância que não é produzida pelo organismo, mas é essencial à vida”, afirma. “Esse óleo também pode ser um aliado na prevenção de doenças cardiovasculares e no controle do nível de colesterol no sangue”.
Imagem: www.sxc.hu
Mais informações:  (19) 8139-3930; e-mail cartirocha@yahoo.com.br , com Cartiane Rocha; e-mail smcicero@usp.br, com o professor Silvio Moure Cícero

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ministro anuncia programa que prevê investimentos de R$ 2 bilhões em projetos inovadores voltados para a sustentatbilidade


Nielmar de Oliveira

Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, anunciou hoje (15), durante a inauguração da Expo Brasil Sustentável, o lançamento, na próxima semana, do Programa Brasil Sustentável que prevê investimentos de R$ 2 bilhões no desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores ligados ao conceito de sustentabilidade.
“Esses recursos serão destinados às empresas de grande porte, que terão que promover a inovação tecnológica e se adaptarem às novas modalidades de inovação com sustentabilidade”, disse. Os recursos serão liberados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
O ministro também informou que parte dos recursos, R$ 500 milhões (25% do total), será destinada “a institutos de ciência e tecnologia para que possam fazer parcerias com as pequenas e médias empresas que não têm condições de [fazer] investimento em sustentabilidade”.
A Expo Brasil Sustentável funcionará de 15 a 21 de junho, no Galpão 3, do Pier Mauá, onde 27 empresas parceiras estarão apresentando projetos sustentáveis que vão desde chuveiro elétrico movido a energia solar, casa de plástico feita a partir de material reciclado e ônibus movido a hidrogênio.
A exposição integra os eventos paralelo à Rio+20. A Finep quer liderar, no país, iniciativas voltadas para o crescimento responsável do ponto de vista ambiental e social. “Neste sentido, este evento é muito importante, pois representa uma nova visão sobre o desenvolvimento do país. É uma visão que harmoniza a questão do desenvolvimento com a inclusão social e a preservação ambiental”, disse o ministro.
Acompanhe a cobertura multimídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) na Rio+20.
Edição: Aécio Amado

Estudo da ANA revela que quase metade das águas em área urbana tem má qualidade


Pedro Peduzzi

Repórter da Agência Brasil
Brasília – Apesar de 81% dos recursos hídricos monitorados no Brasil estarem em excelentes ou boas condições, o baixo índice de coleta e tratamento de esgotos faz com que 47% das águas localizadas em áreas urbanas sejam avaliadas como ruins ou péssimas. A constatação faz parte do estudo Panorama da Qualidade das Águas Superficiais – 2012, divulgado hoje (19) pela Agência Nacional de Águas (ANA).
Dos 1.988 pontos monitorados em 2010 pela ANA, tanto em áreas urbanas como rurais, 75% apresentaram boa condição do Índice de Qualidade de Água (IQA). O estudo mostra que 6% foram classificadas como excelente, 11% como regular, e 7% como ruim ou péssima.
A situação é bem diferente quando o meio analisado é o urbano. Em 47% dos 135 pontos monitorados, a condição da água analisada foi classificada como péssima ou ruim. A ANA atribui esse fato à “alta taxa de urbanização nessas regiões e aos baixos níveis de coleta e tratamento de esgotos domésticos”. Segundo o estudo, 45,7% dos domicílios brasileiros têm acesso à rede de esgoto. Além disso, o país trata apenas 30,5% do esgoto que gera.
A Região Hidrográfica (RH) do Paraná é a que apresentou maior índice de pontos com IQA péssimo ou ruim: 61%. É nessa RH que 32% da carga remanescente de esgotos domésticos do país são depositados. Parte dela é proveniente de São Paulo, Curitiba, Goiânia e Campinas, e das cabeceiras dos rios Tietê, Iguaçu e Meia Ponte.
Dos 658 pontos com série histórica, analisados entre 2001 e 2010, 47 apresentaram “tendência de melhora da qualidade de água”. Desses, 25 estão na RH do Paraná (24 no estado de São Paulo e um no Paraná); 17 na RH do Atlântico Sudeste e cinco na RH do São Francisco. O estudo aponta, entre eles, rios de grande densidade urbana, caso do Tietê, na cidade de São Paulo, e o Rio das Velhas, em Belo Horizonte (MG).
O estudo da ANA informa que, de acordo com órgãos gestores estaduais de recursos hídricos, a causa provável dessa melhora são “investimentos em ampliações do sistema de coleta de esgotos; de estações de Tratamento de Esgotos (ETEs), ou o aumento de sua eficiência”.
“Por outro lado, 45 pontos daqueles que apresentaram série histórica revelaram tendência de piora do IQA”, acrescentou o estudo. Desse total, a maioria (21) também está localizada na RH do Paraná, e 15 estão na RH do São Francisco.
Segundo o estudo, a piora do IQA nessas áreas se deve ao “crescimento populacional não acompanhado por investimentos em saneamento, fontes industriais e atividades agropecuárias e de mineração”. Apesar disso, a ANA avalia que “a retomada dos investimentos em saneamento ocorrida nos últimos anos já apresenta alguns resultados”, como a melhoria de alguns desses rios.
O estudo foi elaborado pela Agência Nacional de Águas com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e de órgãos gestores estaduais de recursos hídricos. As conclusões serão apresentadas amanhã (20) à tarde em evento do BID na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, na capital fluminense.
Acompanhe a cobertura multimídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) na Rio+20.
Edição: Juliana Andrade

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A importância da Justiça para a sustentabilidade



                                     Cláudio dell'Orto*
O Poder Judiciário tem papel relevante no cumprimento dos objetivos da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a ser realizada entre os dias 20 e 22 de junho. Afinal, as transformações necessárias a serem implementadas nos processos produtivos industriais e na agropecuária, os novos modelos de ocupação e uso do solo e o investimento de recursos do Estado na inclusão social e erradicação da miséria são potencialmente geradores de conflitos, cuja solução acabará recaindo nos tribunais.
As dificuldades verificadas ao longo do processo histórico recente — constatadas nos débeis resultados do Tratado das Florestas e da Agenda 21, heranças da Eco 92, realizada há 20 anos, no Rio de Janeiro, bem como do Protocolo de Quioto, que expira em 2012 — testemunham a natureza conflituosa entre as metas do crescimento econômico, da preservação ambiental e de uma distribuição mais justa da renda. Tais obstáculos agravam-se em meio ao ambiente de crise hoje enfrentado por numerosas nações, inclusive as desenvolvidas.
Governos e empresas, a despeito dos discursos politicamente corretos e das exigências da sociedade quanto à salubridade ambiental e à produção mais limpa, mostram-se resilientes a realizar investimentos a fundo perdido, característicos do aporte de capital para projetos sociais e ecológicos. Do mesmo modo, amplia-se a resistência a processos restritivos da manufatura, do mercado imobiliário e de áreas agricultáveis. Tudo muito compreensível no contexto dos impactos culturais inerentes às grandes transformações históricas. E o cumprimento dos objetivos do desenvolvimento sustentável implica, sim, uma imensa mudança, que não pode continuar a passos tão lentos como se verificou nas duas últimas décadas.
Há um descompasso entre o discurso e a ação, inclusive quando se verifica a inadimplência de alguns países com relação aos compromissos assumidos na Eco 92 e em outros tratados multilaterais. Este aspecto é matéria para o direito internacional, devendo merecer análise aprofundada na Rio+20. Afinal, é inútil produzir acordos para não serem cumpridos. No âmbito de cada país, o Judiciário será decisivo para pôr fim ao inevitável ciclo conflituoso relativo à transformação produtiva, comportamental e cultural condicionante ao advento de um planeta sustentável. Por isso, será fundamental encontrar mecanismos eficazes para dar efetividade às decisões judiciais.
Com o propósito de debater essas questões, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj) e a FGV Projetos (Fundação Getúlio Vargas Projetos), promove a Conferência Mundial de Direito e Governança para o Desenvolvimento Sustentável, de 17 a 20 de junho, na capital fluminense. Estarão presentes mais de duzentas autoridades brasileiras e estrangeiras. O encontro produzirá documento oficial a ser entregue à cúpula dos chefes de Estado da Rio+20
Algumas questões brasileiras evidenciam a importância da Justiça para a sustentabilidade. Já temos aqui, por exemplo, substantivoconteúdo jurisprudencial quanto à conceituação da função ecológica da propriedade como desdobramento do papel social da terra. No tocante às reservas legais, um dos itens polêmicos do novo Código Florestal, o Superior Tribunal de Justiça já deliberou ser ela obrigatória e inerente à propriedade.
 A Magistratura, portanto, deve estar cada vez mais preparada para que a prevalência da lei seja inexpugnável garantia da sustentabilidade. A Justiça não tem partido ou ideologia. Não éecochata e tampouco liberal quanto à exploração desmedida da natureza. É, simplesmente, a guardiã dos preceitos constitucionais, dos deveres e direitos dos indivíduos e da sociedade. É nessa condição que desempenhará papel decisivo na observância de leis e normas nacionais e tratados internacionais voltados à viabilização de um mundo economicamente próspero, socialmente justo e ambientalmente saudável.
*Desembargador Cláudio dell'Orto é presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj).

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ato Cívico contra o Rodoanel Norte


Manifestação, dia 16 de junho, sábado, pretende esclarecer sobre os prejuízos sociais e ambientais que a obra trará à cidade de São Paulo. Organizadores lembram que os R$ 6,5 bi permitiriam a construção de 24 km de metrô, 162 km de monotrilho ou 1.100 km de corredores de ônibus


Lideranças comunitárias e ambientalistas convocam um Ato Cívico contra o Rodoanel Norte. O ato público acontecerá no dia 16 de junho, sábado, das 14h às 16h, na área livre ao lado da Biblioteca de São Paulo, junto à estação de metrô Carandiru.
Na reunião, os militantes pretendem esclarecer a opinião pública sobre os problemas que a megaobra provocará ao delicado sistema da Serra da Cantareira e às áreas de amortecimento do Parque Estadual da Cantareira, além de alertar para as interferências no clima de toda a cidade.
A convocação do ato coincide com a divulgação de denúncias do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, de que as obras do Rodoanel Sul teriam servido para financiar a campanha política de Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (PSD) e José Serra (PSDB), segundo  reportagem publicada pela revista IstoÉ.
Os organizadores do Ato Cívico lembram também que a obra vai estimular o uso do automóvel particular, na contramão da tendência mundial de reduzir o carro no meio urbano: com os R$ 6,5 bilhões destinados ao projeto do Rodoanel Norte seria possível construir 24 km de metrô convencional (valor médio/km), 162 km de monotrilho semelhante ao que está sendo feito na extensão da linha 2-Verde e na linha 17-Ouro, ou ainda 1.180 km de corredores de ônibus. Por que não investir esses recursos em transporte coletivo em vez de realizar mais uma obra de estímulo ao carro particular?, questionam os militantes.

A seguir, uma lista com 17 pontos, compreendendo problemas sociais, econômicos e ambientais que serão provocados pelo trecho norte do Rodoanel. Confira:
1. A obra será uma agressão ao maior patrimônio ambiental da cidade, a Serra da Cantareira, área decretada pela Unesco como Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo.
2. Contramão histórica: numa época de busca de sustentabilidade, é o que se pode dizer da proposta de construção de uma megaestrada tão próxima à área urbana (trechos a 11 km do centro), para o trânsito de carros e caminhões. “Será uma nova avenida Marginal, paralela à Marginal do Tietê”, dizem especialistas.
3. Discutível benefício para o trânsito paulistano, em função do tráfego recolhido por essa obra, que deixaria de adentrar a cidade.  Há estudos que mostram que esse benefício seria irrisório, se comparado aos transtornos ambientais e ao custo financeiro.
4. Chegada de enorme quantidade de gases, materiais particulados e ruído urbano a uma região intacta, de preservação ambiental e de mananciais. Significa levar poluição intensa à área de preservação.
5. A proposta do Ferroanel, recém anunciada pelos governos estadual e federal, a começar exatamente no Trecho Norte, contempla a retirada de cargas pesadas do centro da cidade, a um custo de obra 4 vezes menor:  R$ 1,2 bilhão.  Para que o Rodoanel, se virá o Ferroanel, que pode ter um projeto ampliado, com centros de abastecimento e descarga para os produtos com destino à Região Metropolitana de São Paulo?
6. Risco gravíssimo ao abastecimento de água a 55% de toda a população da Grande São Paulo, uma vez que o traçado proposto intercepta os troncos de abastecimento que saem da ETA Guaraú, na Pedra Branca, a maior estação de tratamento de água do Brasil.
7. O tramo Norte estaria passando em trechos a apenas 11 km do centro da cidade, enquanto em outras regiões está a mais de 20 km do centro. O seu trajeto se dá praticamente só por área de mata e terrenos livres, significando impermeabilização de uma enorme área (exemplo: Faz. Santa. Maria, no Tremembé), cujo recalque de água causará enchentes , sobrecarregando córregos que afluem ao Tietê.
8. São 44 km de estrada, com um calibre de obra de 150 metros, sem considerar as áreas de canteiro de obras, passando por enormes áreas semi.rurais e verdes em São Paulo, Guarulhos e Arujá, impactando a saúde e a qualidade de vida de toda a Grande São Paulo.
9. A demanda de tráfego nesse trecho já foi assumida pelo governo como menor do que nos outros trechos. Assim não se justifica os enormes custos financeiros e ambientais anunciados para a obra. Em termos de mobilidade urbana, é discutível a prioridade do investimento inicial de R$ 6,5 bilhões nessa obra, e não na construção de mais linhas de metrô e corredores de ônibus.
10. A serra da Cantareira cumpre funções de equilíbrio climático indiscutíveis. A colocação desse colar de asfalto e concreto junto a sua área reduzirá esse benefício à região metropolitana  que, historicamente, não deu atenção a um planejamento equilibrado. A temperatura de São Paulo, que tem na serra da Cantareira um atenuador natural, subirá inevitavelmente.
11. Prejuízo a fauna e flora únicas presentes em todo o maciço do Parque Estadual da Cantareira, principalmente em suas áreas de amortecimento, preconizadas em seu Plano de Manejo, gerando mortandades que não podem ser desconsideradas em um momento em que todo o planeta advoga a adoção de medidas de sustentabilidade. Todo o bioma da região metropolitana, já tão frágil, sofrerá tremendamente com essa obra.
12. Retirada de milhares de pessoas de suas residências, construídas ao longo de uma vida.
13. Desconsideração sumária da expressiva manifestação contrária à obra, nas diversas audiências públicas realizadas.
14. Afetação de próprios públicos, como a Emef Hélio Cel. Hélio Franco Chaves, da Capela Histórica de Três Cruzes e da Associação Cultural e Agrícola da Cachoeira (criada em 1928), na divisa de São Paulo com Guarulhos, todos com valor comunitário.  Desrespeito com o acervo histórico da primeira  estação de abastecimento de água da cidade, na Vila Rosa, atual Clube da Sabesp, onde o traçado está anunciado.
15. Infração às regras do Plano Diretor da Cidade de São Paulo.
16. A dúvida de se o Parque Estadual da Cantareira resistirá a uma obra que a transfigura, com a passagem de túneis sob sua área, com concentração de poluentes nas áreas de respiro dos túneis.
17. A falta de estudos de todos os impactos acima apontados, com um natural olhar macro para a região da Grande São Paulo, considerando qualidade de vida e saúde pública como variáveis indispensáveis e inegociáveis, com grande peso, nas análises e decisões de investimentos.
Mais informações no Blog Rodoanel (http://rodoanelnorte.wordpress.com/)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Fortalecer o setor público

Fortalecer o setor público
Em artigo no jornal Valor Econômico (29/5/2012), o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) defende a ampliação da participação do setor privado no saneamento ao afirmar que “O capital privado está presente em vários setores da infraestrutura, com diferentes níveis de intensidade e participação. Ao mesmo tempo em que libera os recursos públicos para serem aplicados em áreas essenciais como saúde, segurança e habitação”.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A indústria dos relatórios de sustentabilidade: mais informação significa maior transparência?


Por Ricardo Zibas*

            Nos últimos anos, temos acompanhado a evolução da publicação de informações socioambientais pelas corporações globais, na forma de relatórios de sustentabilidade ou de responsabilidade corporativa. Mas até que ponto a evolução na quantidade de informações é também uma evolução qualitativa?

Recentemente, a KPMG divulgou a sua última pesquisa sobre o tema, abrangendo as 100 maiores companhias de 34 países (totalizando 3.400 organizações), entre eles o Brasil. Das 100 maiores empresas brasileiras, 88 reportam informações socioambientais, colocando nosso país na 6ª posição entre os 34 países estudados. Ficamos atrás do Reino Unido (100% das 100 maiores empresas reportam), Japão (99%), África do Sul (97%), França (94%) e Dinamarca (91%). No caso da África do Sul e da França, vale lembrar que existe uma matriz regulatória que demanda a divulgação de informações socioambientais, o que é um fator preponderante para a obtenção de índices mais altos.

Considerando que o reporte no Brasil (ainda) é voluntário, temos uma publicação expressiva de relatórios, que nos coloca à frente de países como a Finlândia (85%), Estados Unidos (83%), Holanda (82%), Canadá (79%), Itália (74%), Suécia (72%) e Portugal (69%).

Entretanto, será que a quantidade de relatórios se traduz também na qualidade das informações reportadas? O estudo divide os relatórios dos países em quadrantes, e a maioria dos reportes brasileiros se enquadrou no que denominamos “arranhando a superfície (scratching the surface)”, que se caracteriza por um alto grau de eficiência na comunicação, mas sem uma maturidade de processos condizente.

Normalmente, as organizações e setores deste quadrante são as que possuem maior risco de falhar nas metas e expectativas descritas no relatório de sustentabilidade e, por consequência, estão mais sujeitos às pressões das partes interessadas, entre eles os investidores.

O principal motivo para isto é que o foco é dado para a comunicação das realizações em múltiplos canais (ou até na integração com o reporte financeiro), mas a mesma atenção não é dada aos processos de gestão, integração e origem das informações. Como resultado, temos uma comunicação muito boa, mas embasada em processos pouco desenvolvidos, que comprometem a qualidade das informações, ou seja, muito foco na forma, mas nem tanto no conteúdo.

Assim, várias metas não são atingidas, frustrando as expectativas dos públicos de interesse ou, muitas vezes, recaindo em um processo de verificação externa demasiadamente longo, cujo retrabalho contínuo passa a ser a regra, pois as informações relatadas acabam não possuindo as evidências necessárias de rastreabilidade ou gestão.

Como fugir desta armadilha? A integridade e a maturidade dos processos geradores da informação é a chave para um reporte adequado. A abordagem denominada “Fazendo a coisa certa” (Getting it right), segundo a pesquisa, consiste na ação equivalente à de organizações que adotam uma postura mais conservadora, priorizando a construção de sistemas de informação de dados socioambientais e processos de consolidação e registro de evidências, em vez de uma pura e simples superexposição de realizações, que muitas vezes não tem como demonstrar ou manter. Além disto, visando evitar a compilação dos dados e indicadores uma única vez por ano (o que denotaria falta de gestão), estas organizações utilizam auditorias externas trimestrais dos dados socioambientais, o que reduz o tempo da auditoria anual e indica lacunas ao longo do processo e a tempo de serem corrigidas.

Mais detalhes sobre a pesquisa podem ser obtidos no link:

http://www.kpmg.com/Global/en/IssuesAndInsights/ArticlesPublications/corporate-responsibility/Pages/2011-survey.aspx

*Ricardo Zibas é gerente sênior da área de Climate Change & Sustainability Services da KPMG no Brasil.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Correios apresenta práticas ambientalmente sustentáveis


Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, os Correios realizarão em todo País ações como plantio de mudas, exibição de filmes, palestras, entre outras. Um dos eventos será a solenidade de lançamento dos selos da Rio+20, na terça-feira (5), no Palácio do Planalto, com a presença da presidenta Dilma Rousseff.
Em 2011, os Correios desenvolveram diversas práticas sustentáveis, entre as quais coleta seletiva solidária, coleta e descarte adequado de malotes e lâmpadas, uniformes, palets de madeira, toners, cartuchos, baterias de celular, pneus e pilhas, dentre outros.
Só no ano passado, as ações sustentáveis dos Correios resultaram no plantio de quase 70 mil mudas em todo Brasil e na reciclagem de mais de 546 toneladas de plástico.
Nos últimos três anos, cerca de 20 mil pessoas foram beneficiadas pelo EcoPostal — programa dos Correios que possibilita a entidades sem fins lucrativos reutilizarem uniformes, malas e malotes postais sem condições de uso para confecção de bolsas, sandálias, mochilas e roupas infantis.
Essas e outras iniciativas dos Correios na área da sustentabilidade estarão expostas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, que será realizada de 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. Como patrocinadores do evento, os Correios estarão presentes em todos os espaços da conferência, com exposição de práticas socioambientais da empresa. Além disso, haverá duas agências de Correios para atendimento ao público.

Atingidos por barragens retomam mobilizações



Na próxima semana, os atingidos por barragens de todo o país voltam a se mobilizar para defender os bens naturais, denunciar o avanço do capital sobre a natureza e lutar pelos seus direitos. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) integrará as ações da Via Campesina e movimentos sociais que marcarão o 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.
 A mobilização do dia 5 de junho é em preparação para a Cúpula dos Povos, atividade dos movimentos sociais paralela à Rio+20, que acontecerá entre os dias 15 e 23 no Rio de Janeiro. Os movimentos vão denunciar as falsas soluções apresentadas pelas empresas para a preservação do meio ambiente, baseadas no aumento da apropriação dos bens naturais e na violação dos direitos humanos, e pautar os temas da soberania alimentar e energética. “A luta será contra as tentativas de privatização dos bens naturais, em especial da água e da energia. Nós do MAB vamos denunciar a contradição do modelo energético brasileiro, que se apresenta como ‘limpo’, mas deixa um rastro violação dos direitos humanos nas áreas de construção das barragens”, afirma Tatiane Paulino, da Coordenação do Movimento.
“Para o MAB, o central é a crítica do atual modelo energético brasileiro, que prioriza a geração de lucro para grandes empresas às custas de violação dos direitos dos atingidos, degradação do meio ambiente e precarização do trabalho dos trabalhadores no setor elétrico. Além disso, toda a população é prejudicada, pois paga uma das contas de energia mais caras do mundo”, afirma Joceli Andrioli, da Coordenação Nacional do MAB.
Pelos direitos dos atingidos
Na Jornada de Lutas do 14 de Março, o governo novamente se comprometeu a  pagar a dívida histórica que o Estado brasileiro tem com os atingidos e construir uma política nacional de reparação. Porém, os atingidos estão preocupados, pois mais de três meses se passaram e não foram tomadas medidas concretas. “Sabemos que, para que essas promessas saiam do papel, é necessário fazermos nossa parte enquanto movimento social: continuar em luta”, afirma Joceli.
O MAB vem pautando a necessidade de se formular uma política nacional de tratamento para os atingidos por barragens, com respeito aos direitos humanos dessa população, como os direitos à terra, ao trabalho, à educação, à saúde, à convivência comunitária, entre outros. Além disso, exige que seja criado um fundo para garantir uma adequada de reparação das perdas e prejuízos dessa população.
Em aliança com os trabalhadores do setor energético, articulados na Plataforma Operária e Camponesa para a Energia, o MAB também vai pautar a luta contra a privatização do setor elétrico. No momento, essa luta se expressa na defesa da renovação das concessões que vão vencer nos próximos anos – grande parte delas de empresas estatais e que correm o risco de serem privatizadas se forem feitos novos leilões.
Mais informações:             (11) 3392-2660    
http://www.mabnacional.org.br/