sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Cientistas advertem sobre riscos da exposição à luz visível

Por Da Redação - agenusp@usp.br
Da Assessoria de Comunicação do INCT-Redoxoma
redoxoma@iq.usp.br
Resultado do estudo tem impacto para a saúde pública
A exposição à luz visível (parte da radiação solar que enxergamos) também pode ser prejudicial à pele mesmo com o uso de protetores solares, pois causa danos ao DNA das células. “Criou-se um mito de que a luz visível é segura, o que não é verdade”, afirma o Maurício Baptista, do Instituto de Química (IQ) da USP. A constatação do cientista vem de estudos realizados no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), sediado no IQ.
No Redoxoma, Baptista coordena um grupo de pesquisadores que estudou e realizou experimentos que mostram como a melanina ao ser estimulada pela luz visível gera moléculas altamente reativas (compostos) que causam danos ao DNA das células.
“Esse resultado tem impacto importante para saúde pública, pois demonstra que a estratégia de passar filtro solar e se expor por longos períodos ao sol pode causar danos irreparáveis na saúde da pele, incluindo o fotoenvelhecimento e possivelmente a formação de tumores”, alerta o cientista.
Ele explica que a irradiação solar tem vários componentes: o que enxergamos (luz visível) e o que não enxergamos é o UVA. “Os bons filtros solares encontrados hoje no mercado nos protegem contra radiação solar ultravioleta (UVA e UVB), mas não contra a radiação visível. É um equívoco considerar que a exposição à luz visível seja segura para a saúde da pele”, adverte.
Melanócitos
Os melanócitos são células localizadas na barreira entre a epiderme e a derme, fundamentais para manter a saúde da pele. Eles produzem a melanina, um pigmento na forma de grânulos responsável pela coloração da pele e pela proteção contra a radiação ultravioleta B (UVB). Na presença de raios UVA e da luz visível, no entanto, a melanina passa a causar danos às células epiteliais.
O mecanismo de fotossensibilização e geração de espécies reativas por radiação UVA, com efeitos como fotoenvelhecimento e desenvolvimento de vários tipos de câncer de pele, já era conhecido.
Agora, os pesquisadores avaliaram a toxicidade da luz visível em melanócitos humanos e de murinos, tanto com nível basal quanto com superexpressão de melanina, e demonstraram que a presença de melanina aumenta a fototoxicidade da luz visível. Eles também quantificaram a formação de oxigênio singlete, que seria um dos mecanismos pelos quais ocorrem danos às células.
Esse mecanismo, como explica Baptista, envolve uma reação de transferência de energia da melanina excitada por absorção luminosa para o oxigênio, formando o oxigênio singlete, que ataca principalmente a base nitrogenada guanina, formando derivados potencialmente mutagênicos do DNA. Além da formação do oxigênio singlete, os resultados obtidos pelo grupo também indicam a ocorrência de reações diretas da melanina em estado excitado com o DNA.
Difícil questão
Segundo o pesquisador, proteger a pele humana da exposição ao sol é uma questão complexa que envolve aspectos ainda pouco claros da interação entre a luz e o tecido.
“O ideal parece ser a velha receita de se expor ao sol por pouco tempo sem proteção externa, pois nesse caso obtemos os benefícios do sol, por exemplo, ativação da vitamina D, sem sofrermos os riscos que a exposição prolongada oferece, mesmo com utilização dos filtros solares atuais”, afirmou.
O artigo Melanin Photosensitization and the Effect of Visible Light on Epithelial Cells, de Orlando Chiarelli-Neto, Alan Silva Ferreira, Waleska Kerllen Martins, Christiane Pavani, Divinomar Severino, Fernanda Faião-Flores, Silvya Stuchi Maria-Engler, Eduardo Aliprandini, Glaucia R Martinez, Paolo Di Mascio, Marisa H. G. Medeiros e Maurício S. Baptista, foi publicado na revista pode ser lido em PLoS One e pode ser lido neste link.
Foto: Wikimedia Commons

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Fundação Amazonas Sustentável (FAS) leva artesãs do Amazonas para feira em São Paulo


Moradoras das Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, Mamirauá e Rio Negro participarão do Salão Mãos do Brasil, no Anhembi

São Paulo, 08 de dezembro de 2014 - O artesanato do Amazonas estará representado em São Paulo durante o Salão Mãos do Brasil, um dos maiores eventos de artesanato do país, que acontecerá entre 12 e 20 de dezembro, no Pavilhão de Exposições Oeste do Anhembi. Indicadas pelos grupos de artesanato de suas reservas, quatro artesãs dos rios Negro e Solimões levarão a beleza do trançado, a delicadeza das tradicionais panelas de barro e a sofisticação das joias produzidas com resíduos sólidos reciclados em Unidades de Conservação (UCs) do Amazonas. 

"Este é um momento muito importante para o projeto de artesanato nas Unidades de Conservação do Amazonas, uma vez que a cadeia produtiva fecha um ciclo e atinge o consumidor final", afirma Jousanete Dias, coordenadora da Regional Negro Amazonas que representará a FAS no evento ao lado do consultor Hygor Goellner.

O evento tem como objetivo agregar valores humanos e econômicos aos artesãos, preservar e difundir valores culturais e regionais por meio do artesanato brasileiro. Além disso, pretende promover a integração entre os segmentos de produção e comercialização do artesanato, além de estimular o potencial de crescimento dos artesãos.

No que diz respeito à cadeia produtiva do artesanato, a FAS e parceiros fizeram juntos um trabalho de capacitação e conscientização dos comunitários das regionais Negro Amazonas e Solimões, nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Rio Negro, Amanã e Mamirauá.

Incentivo ao artesanato
Um apoio da Coca-Cola e da Aliança Empreendedora no Projeto Coletivo Artes possibilitou a ribeirinhos da RDS Rio Negro a geração de renda a partir do artesanato. Esta iniciativa ganhou prêmios nacionais com os artesanatos que antes não tinham tanto valor. Além disso, provocou uma mudança de hábito no descarte do pet e da latinha - pois há o reaproveitamento quase total para a elaboração destes artesanatos.

Na RDS Amanã, o apoio do SEBRAE resultou em grande reconhecimento do projeto com prêmios nacionais e internacionais. Já na RDS Mamirauá o histórico de produção de panelas de barro foi passado de pai para filho e é possível verificar alta qualidade no acabamento e design no resultado final.